Há uns dias que saiu e está à venda um livro simplesmente maravilhoso. Não só por dizer respeito a um homem ímpar (Miguel Torga), não só por ter sido editada pela mão de um professor excelente (Carlos Mendes de Sousa), mas acima de tudo por ser certamente um dos últimos livros de cartas que veremos publicados em Portugal, uma vez que já ninguém escreve senão e-mails e SMS que, pela sua natureza geralmente apressada, também já ninguém guarda. Este volume, Cartas para Miguel Torga, reúne um conjunto de missivas enviadas ao escritor e assinadas por grandes figuras da cultura portuguesa e alguns escritores estrangeiros. Pessoa, Nemésio, Jorge Amado, Eduardo Lourenço, Mário Soares, Sena, Gonzalo Torrente Ballester, são apenas alguns nomes dos vários correspondentes, cujas cartas ajudarão não só a compreender o universo íntimo e pessoal de Torga, mas toda uma época cutural e literária. Inclui elogio e ressentimento e, claro, alguma sofisticada maledicência. Publica a Dom Quixote.
E o selo, Pacheco? Como é que colecciono o selo? Ainda sou do tempo em que via passar a língua por aquela cola do fecho dos envelopes. Parece que tinha um sabor adocicado - provei apenas uma vez, porque me garantiram que era cola de cerejeira - e nos correios até havia uns frasquinhos com uma cola que não colava cientistas ao tecto, mas funcionava.
Saudações do planalto, onde não se gasta cuspo com correspondência.
Pois é, e tem muita razão: o selo!!!! São pequenas obras de arte, a valorizar as cartas... e motivo de paixão, por colecionadores do Mundo inteiro! Lindos, particularmente os selos das antigas colónias/províncias ultramarinas! Com aves ou plantas e animais, pintados. Aqui os correios não são de confiança... as cartas vão abertas "para verificação", imagine-se! Depois ou não chegam, ou chegam até depois de nós... e o que se recebe cá, muitas vezes não vem completo, por exemplo revistas, chega só o envelope! Temos de usar a DHL (caríssima) ou a Macon (linha de camionetes, internamente) também muito cara.