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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Set17

Cemitérios

Maria do Rosário Pedreira

Na passagem da lista maior para a lista mais pequena (a dos seis finalistas) do Man Booker Prize, caiu curiosamente o livro de Arundhati Roy, O Ministério da Felicidade Suprema (ASA), candidato vinte anos depois de o seu antecessor, o romance-maravilha O Deus das Pequenas Coisas, ter ganho o galardão. O segundo romance da escritora indiana (pelo meio, ela escreveu muitos artigos e ensaios, mas não ficção) é um livro menos susceptível de reunir o consenso dos leitores, embora nele se mantenha esse estilo único da senhora Roy e o desenho de algumas personagens que dificilmente esqueceremos, como a hermafrodita Anjum ou a bela Tilo (que li algures ser uma espécie de alter ego da autora). Existindo muitas mais personagens neste livro do que no anterior, a verdade é que a profusão de nomes indianos (que não descortinamos imediatamente pertencerem a homens ou mulheres) emperra um pouco a leitura; e, se por um lado parece necessário ter já algumas noções sobre a questão de Caxemira para compreender o verdadeiro alcance desta história, por outro lado, aqui e ali também sentimos que existe uma certa pedagogia que torna o enredo um pouco menos fluido. Mesmo assim, ele deve ser lido, até porque tem algumas ideias belíssimas, como a da Casa de Hóspedes construída à roda das lápides de um cemitério num país onde, por acaso, os hindus não enterram os mortos. Também é num cemitério que decorre o polifónico romance de George Saunders, Lincoln no Bardo (Relógio d’Água), onde Abraham Lincoln passa uma noite junto ao túmulo do filho, morto uns dias antes. O autor – até aqui só de contos – foi sobejamente elogiado por esta obra, entre outros, por Zadie Smith, Jonathan Franzen e Thomas Pynchon. E o livro – esse – continua na short list do Man Booker. Os cemitérios estão na moda em literatura.

3 comentários

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    Anónimo 27.09.2017

    Tenha a impressão que na Suécia se passa exatamente o mesmo (vivi lá alguns anos). Os cemitérios deles não têm nada a ver com os nossos. Será consequência da religião? São autênticos "prados do repouso", curiosamente o nome de um cemitério do Porto se não me engano.
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    António Luiz Pacheco 27.09.2017

    É curioso que eu tinha idéia de que os nórdicos, queimavam os seus mortos... ou talvez só os vikings fossem queimados?

    Os nossos antepassados lusitanos também não enterravam ... parece que queimavam os mortos e aos guerreiros, deixavam-nos aos abutres, que consideravam aves sagradas!

    O enterro suponho que seja coisa Cristã, judaica...
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