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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Fev18

Cérebros afins

Maria do Rosário Pedreira

Gosto de ter afinidades com outras pessoas e sinto que ter os mesmos interesses facilita a empatia e favorece a amizade. Mas tenho também amigos que pensam de maneira completamente diferente de mim – em termos políticos, por exemplo – sem que isso afecte a nossa relação, e a maioria dos meus amigos mais próximos não trabalha sequer na minha área de actividade, bem pelo contrário, embora quase todos gostem de ler. Sobre isto de os amigos terem coisas parecidas e diferentes de nós, leio um artigo super-interessante no Público a propósito de um estudo científico publicado na revista Nature Communications, que revela que os amigos reagem ao mundo de forma muito semelhante e que isso se vê nos respectivos cérebros. Uau! A amostra foi recolhida numa universidade em que os estudantes disseram quem eram os seus amigos e foram postos numa sala a ver vídeos de política, ciência, música e muito mais. As reacções dos cérebros eram vigiadas através de ressonâncias magnéticas funcionais e, tratando-se de amigos, eram exactamente as mesmas (o artigo diz «excepcionalmente similares»). Segundo a revista, estes resultados permitem prever se duas pessoas são amigas e ter uma noção da distância social entre elas. E esta, hein?

4 comentários

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    António Luiz Pacheco 09.02.2018

    Caríssimo e Afim Artur:
    Numa perspectiva actual em que tudo é ´digitalmente informatizado e mecanizado, parece que o homem também ele computorizada e insensível às emoções, pouco crente nas suas instintivas e biológicas capacidades, não emotivo e cada vez mais friamente maquinal, há-de tender a analisar dessa e doutras formas artificiais aquilo que é meramente do foro dos sentimentos humanos, e refiro humanos, me perdoem os animalistas que me vão acusar de antropocêntrico, pois há coisas que só aos humanos cabem!
    Certo que um cão sente atracção e afecto por uma pessoa, mas dos dois só o humano é consciente desse facto e pode filosofar sobre ele, discorrer e interpretar!

    Saudações de afinidade cá da Cidade Morena!
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    Artur Aguas 09.02.2018

    Meu Caro António Luiz,
    Muito obrigado pelas suas reflexões. A minha refilisse de hoje é porque às vezes ficamos embasbacados com novidades científicas que só repetem conceitos que já nos foram oferecidos pelas Humanidades.
    Um destes dias a ressonância magnética funcional irá demonstrar -- oh, espanto ! -- que os circuitos cerebrais que são ativados mais frequentemente num cão são semelhantes aos circuitos cerebrais mais usados pelo seu dono. Já agora, uma nota de cautela quando afirma "que dos dois [humano e cão] só o humano é consciente desse facto" porque nós humanos não sabemos o que é a consciência (o António Damásio andas atrás dela há décadas e ainda não a conseguiu chegar a uma definição científica irrecusável). Eu até suspeito que os cães têm consciência. Que não filosofam, parece que não. Pelo menos não parecem partilhar connosco as suas preocupações existenciais. E daí, o melhor é perguntar aos seus donos porque podem ter opinião diferente da minha.
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    António Luiz Pacheco 09.02.2018

    Ahahah!
    Inteligente réplica... e de facto há animais, cães e gatos, que têm um "ar sabedor", e lembro o enigmático Prof. Pinho, extinto gato da Cristina Carvalho...
    Quanto à consciência, talvez não aquela que busca o Extraordinário Damásio, mas a um nível muito básico, sei bem que os animais podem demonstrar que a possuem. Lembro-me do meu cão Rói, que se durante a noite fizesse uma mija na cozinha, eu sabia logo mal o via, pela sua atitude comprometida. Ele "sabia" que tinha feito algo que não podia!
    É um certo nível de consciência, creio eu, fruto da evolução canina e de poderem ser considerados cães e gatos "animais superiores" pela sua convivência com os humanos, portanto num estádio de consciência superior ao de uma zebra. Eu, presumidamente, presumo que a consciência seja mesmo aquilo que está ao nível do saber o que fazemos, como e porquê, e, se formos a ver bem, a amizade que em princípio se diz que não se explica, sente-se, pode mesmo ser explicada ou compreendida, mas só por quem pense nisso, porque creio que muitos homens também não pensam em tudo, só pensam numa parte das coisas. Será?

    Um abraço consciente para si, e aposto que seríamos até bons amigos!
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