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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Out18

Classificações

Maria do Rosário Pedreira

«Deixaria os seus filhos (e filhas, porque as raparigas lêem tanto como os rapazes) ler este livro? Deixá-lo-ia à mão, pousado em qualquer lado, à vista, lá em casa? Acharia bem que a sua mulher – e até os seus criados – o lessem?» Pois bem, desde já confesso que traduzi do inglês um pouco a correr, mas o importante é que percebam o que está em causa; a frase foi partilhada um dia destes pela jornalista e escritora Isabel Lucas no seu mural do Facebook a propósito da indignação pública perante a classificação para maiores de 18 anos de uma parte da exposição do fotógrafo americano Robert Mapplethorpe na Fundação de Serralves (facto que, aparentemente, acabou por levar à demissão o respectivo comissário). No entanto, até que a história seja bem contada (há muita coisa por esclarecer), queria dizer-vos que a frase que aqui reproduzo hoje integra um requerimento apresentado em 1960 para que fosse retirado do mercado um romance considerado então altamente escandaloso: O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence. Eu tinha então apenas um ano e muitos dos Extraordinários não tinham sequer nascido. Mas em todas as épocas há polémicas (quase sempre quando o sexo se mostra, escrito, pintado, fotografado…). Dizia ainda a jornalista Isabel Lucas que o exemplar do romance de Lawrence anotado com as passagens escaldantes que serviu de base à acusação vai a leilão. Espero que quem licite por ele e o adquira nos mostre um dia o que em 1960 era assim tão chocante. Por certo, ainda nos vamos todos rir.

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