Contos
Confesso que não sou muito de ler contos (mesmo recordando ainda muitíssimo bem alguns contos de autores de que gosto, como Borges ou D. H. Lawrence, por exemplo); mas estava curiosa com uma escritora argentina de quem alguns amigos seus conterrâneos já me falavam há anos e que ainda não tinha «experimentado». Samantha Shweblin é autora também de um romance que já foi finalista do Man Booker Prize Internacional, Distância de Segurança, mas foram sempre os seus contos, realmente magníficos, que a celebrizaram. Em Sete Casas Vazias, o primeiro que leio da argentina, a surpresa residiu sobretudo num estilo que é muito mais próximo da literatura norte-americana do que da latina-americana; mas neste caso é um bom sinal, lembrou-me até um pouco a querida Elizabeth Strout e a sua aparente simplicidade. De qualquer modo, as histórias são incríveis e desconcertantes, sobretudo a primeira, em que uma mãe demente invade uma casa alheia e, além de se deitar no chão, meter-se na casa de banho dos estranhos e mexer em tudo, traz para casa um açucareiro que tinha um valor estimativo incalculável para a sua dona. Sete Casas Vazias, cuja tradução é assinada por Isabel Petterman, são sete histórias de casas que podem ser algo claustrofóbicas e cujos finais são sempre ao contrário do que esperamos. O livro ganhou o National Award nos EUA e realmente Samantha é mestre no género.

