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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

31
Out14

Cortes na educação

Maria do Rosário Pedreira

Já não me devia admirar com cortes e mais cortes que este Governo tem levado a cabo em todas as áreas. Embora não seja seguramente das pessoas mais afectadas com eles, também os senti – e tenho, sobretudo, olhos na cara para ver o que se passa à minha volta, principalmente com os mais desprotegidos. Apesar de tudo, quando o orçamento de 2015 foi anunciado, não queria acreditar que a educação tivesse sofrido um corte tão drástico (depois dos inexplicáveis cortes nas universidades, que deixaram de ter dinheiro para quase tudo, e das bolsas de investigação que se evaporaram, foi simplesmente demais). Na verdade, era em cultura e educação que devíamos investir pois sem ambas nunca chegaremos a lado nenhum (e às vezes sinto que, com a emigração de tantos licenciados bem preparados, que nunca mais voltarão a Portugal, sobrarão apenas os mal preparados e os ignorantes, o que dá, aliás, muito jeito a quem manda para lhes cair em cima e não haver reacção). A diminuição na venda de livros recentemente divulgada por um estudo universitário exaustivo sobre a matéria tem certamente já que ver com isto: a escola não está a saber criar hábitos de leitura. Os condicionamentos são cada vez maiores: crianças que andam todos os dias quilómetros de autocarro porque fecharam as escolas da sua área de residência, professores que são colocados a milhas de casa e que não têm motivação nenhuma para ensinar. Isso explica talvez porque em 2014 concorreram mais pessoas à Casa dos Segredos do que à universidade. Não, não é o País que temos; é o País que querem que tenhamos.

3 comentários

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    António Luiz Pacheco 31.10.2014

    Compreendo o que diz Extraordinária Sandra, mas numa coisa eu discordo:
    - Os políticos que temos não espelham o povo! Nem lá perto... somos um povo de grandes qualidades e capacidades, não temos por norma é líderes à altura!
    Só para dar um exemplo e porque temos de lembrar que estamos num blog de leitura, leia "Os Caçadores - os galos de combate de Wellington" - de David Martelo. Na Guerra Peninsular, os ingleses sabiam e gabavam as excelentes capacidades dos nossos soldados, tanto quanto desprezavam os nossos oficiais! Lembro que esse facto, de os oficiais portugueses estarem privados de comando, deu origem à revolta e enforcamento de Freire de Andrade. Homens com Bernardo Sá Nogueira eram já naquele tempo raros...

    Os nossos políticos não gostam sequer de nós, estão sempre a querer fazer de nós outros povos... sejam os franceses ou finlandeses! Logo nem nos espelham nem têm nada a ver connosco... veja o Gaspar que é tão bom lá no BCE e aqui foi o nosso maior carrasco... ele é bom mas é a ser suíço ou inglês ou o raio que o parta! Mas não a ser português e aliás nem quer, nunca querem. Nós somos apenas um bando de malcriados, invejosos e de preguiçosos, sem cultura nem higiene! Talvez por isso estejamos espalhados e com sucesso pelo Mundo fora... só em Portugal é que não, pois os excelsos governantes que temos nos vêem e tratam assim.

    Saudações eficientes, da Cidade Morena
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    Sandra Neves 31.10.2014

    Extraordinário António: e é possível distinguir um povo das suas lideranças? Não são eles parte de nós, não saíram do núcleo fundamental que nos constitui? Não somos preguiçosos nem perdulários. Mas invejosos somos. E muito. Temos de aplicar a energia gasta em vigiar os outros no nosso percurso. E sermos menos complacentes com as falhas graves de quem nos governa e connosco enquanto cidadãos. Olhamos com tolerância as falhas dos desonestos. Não pode ser. Olhamos com bonomia os nossos erros. Não pode ser. Continuemos com as nossas características culturais. Mas aperfeiçoemo-nos enquanto povo. Saudações da beira do Sado.
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