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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

31
Out14

Cortes na educação

Maria do Rosário Pedreira

Já não me devia admirar com cortes e mais cortes que este Governo tem levado a cabo em todas as áreas. Embora não seja seguramente das pessoas mais afectadas com eles, também os senti – e tenho, sobretudo, olhos na cara para ver o que se passa à minha volta, principalmente com os mais desprotegidos. Apesar de tudo, quando o orçamento de 2015 foi anunciado, não queria acreditar que a educação tivesse sofrido um corte tão drástico (depois dos inexplicáveis cortes nas universidades, que deixaram de ter dinheiro para quase tudo, e das bolsas de investigação que se evaporaram, foi simplesmente demais). Na verdade, era em cultura e educação que devíamos investir pois sem ambas nunca chegaremos a lado nenhum (e às vezes sinto que, com a emigração de tantos licenciados bem preparados, que nunca mais voltarão a Portugal, sobrarão apenas os mal preparados e os ignorantes, o que dá, aliás, muito jeito a quem manda para lhes cair em cima e não haver reacção). A diminuição na venda de livros recentemente divulgada por um estudo universitário exaustivo sobre a matéria tem certamente já que ver com isto: a escola não está a saber criar hábitos de leitura. Os condicionamentos são cada vez maiores: crianças que andam todos os dias quilómetros de autocarro porque fecharam as escolas da sua área de residência, professores que são colocados a milhas de casa e que não têm motivação nenhuma para ensinar. Isso explica talvez porque em 2014 concorreram mais pessoas à Casa dos Segredos do que à universidade. Não, não é o País que temos; é o País que querem que tenhamos.

7 comentários

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    Vítor Ferreira 01.11.2014

    A "Casa dos Segredos" foi gerada pela Democracia?! Isso não será um pouco forçado? Não terá sido antes criada por uma produtora (empresa privada que, como todas as outras empresas, procura obter lucro) de televisão?

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    Francisco Lacerda 02.11.2014

    E qual é o regime que potencia a existência de empresas privadas cuja sobrevivência depende do lucro e, portanto, daquilo que o maior número de pessoas determina que deve ser o produto dessa empresa?
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    Vítor Ferreira 02.11.2014

    O sistema que o Francisco se quer referir, chama-se "Economia de Mercado", e obedece à lei da oferta e da procura.

    Abraço
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    Francisco Lacerda 02.11.2014

    E qual é o regime mais adequado a uma Economia de Mercado?
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    Vítor Ferreira 04.11.2014

    Por acaso na ditadura de Salazar não existia também uma economia de mercado?

    Na ditadura de Pinochet?
    Na ditadura de Franco?
    Na ditadura deste, daquele... daqueloutro e do outro...

    O único regime onde não se aceita a economia de mercado é Comunismo, e mesmo esses são os mais ortodoxos. Veja-se o caso da Jugoslávia, o caso ainda mais recente da China, etc etc.

    Abraço
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    Francisco Lacerda 04.11.2014

    Eu não disse que era o único regime em que havia Economia de Mercado. Disse que era o mais adequado. E isso é relativamente simples de demonstrar. De resto, parece-me que o Vítor está a dizer que o fenómeno da Casa dos Segredos podia ter ocorrido em ditadura, como aconteceu agora, bastando para isso haver uma produtora interessada no formato. Eu estou a dizer que o fenómeno da Casa dos Segredos só podia fer ocorrido em Democracia, porque só em democracia há liberdade de costumes e liberdade económica capazes de fazer corresponder a procura à oferta. É esta a diferença.
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