Ainda ontem falava aqui de listas, e li que numa outra, esta no Brasil, o livro de Itamar Vieira Junior, Torto Arado, vencedor do Prémio LeYa no ano passado, ficou em terceiro lugar na categoria de ficção, atrás apenas de Roberto Bolaño e Silvina Ocampo, grandes nomes da literatura universal. Penso que Itamar Vieira Junior vai longe e desejo-lhe todo o sucesso do mundo. Penso também que os leitores e críticos brasileiros andavam sedentos de um livro como o seu, autêntico, belo, respeitador da herança de escritores como Érico Veríssimo (ou Guimarães Rosa, por exemplo, de quem acaba de publicar-se em Portugal uma nova edição de Grande Sertão: Veredas, que vou pedir de presente de Natal). Parabéns.
4 comentários
António Luiz Pacheco 06.12.2019
Aplaudo! Vou a propósito contar uma história aqui da rua Domingos do O.
Tenho um casal de grandes amigos, o Luis (cabrito) e a Terezinha (fula) que têm duas garotas mulatas, de quem gosto muito e claro, como lhes dou cobertura, passavam a vida metidas cá em casa a usar a net, a tv e a comer hambúrgueres que eu fazia… tinham três amigas e constituam um grupo autodenominado "As metralhas". Eram minha companhia habitual nas idas à praia ali na Baía Azul. Falo no passado, pois cresceram, as duas manas foram para Portugal este ano e as outras três ficaram, até já três das cinco tiveram filhos, uma casou… tudo este ano de 2019. Tinha uma vizinha aqui na casa ao lado, uma senhora mulata e gorda, de meia-idade, muito bisbilhoteira por sinal e que a minha empregada Mariana mantém em sentido não lhe permitindo familiaridades nem coscuvilhice, que fiscalizava as entradas e saídas contínuas das miúdas, aliás o colégio delas sendo aqui perto, e muitas vezes da mãe delas que também era visita frequente à cerveja na minha geleira. É costume nos fins de tarde, calmos e quentes, a vizinhança sentar-se ao portão das moradias, a apanhar fresco, conversar, beber cerveja e ver quem passa. Os garotos brincam no passeio e os cães dormem encostados aos muros e passeios. Um belo dia, estando eu ali no portão do quintal a pô-las na rua (ás vezes tinha que ser…) fez conversa sobre quem eram aquelas duas meninas que vinham aqui tanto… Eu disse que eram minhas sobrinhas! Hannn! Sobrinhas? E esta senhora é a mãe? Sim… é minha irmã! Ai-é? Irmã? De pai ou de mãe? Ora, irmã é de ambos… só que ficou mais tempo no forno e ficou assim torrada! Risadas da Terezinha e cara de espanto da vizinha que ficou sem saber o que pensar… mas na dúvida, se bem que nunca mais comentasse nada. A minha amiga passou a apresentar-me como "o meu irmão branco". Ela é secretária no governo provincial e as colegas de serviço julgam mesmo eu sou irmão dela! Quando vou lá tratar de algum assunto tenho tratamento VIP porque sou irmão da Terezinha! Isto deve ser racismo no seu grau mais elevado, sobretudo quando interpretado por gente estúpida que se julga bem-intencionada...
Grande abraço de uma cidade morena e ainda humanizada! Racistas? Há-os por cá, como em todo o lado.
Grande abraço deste branquela cá na Cidade Morena!
Ó Pacheco Estamos à vontade aqui nesta sala da "Casa das Horas". A proprietária deixou a chave na porta e, à falta de visitas, tomámos o espaço, abrimos uma garrafa de uísque (do bom), uns salgadinhos e mais uns aperitivos, sofás de boas molas, nem há melhor para a cavaqueira, uma vez que nem há mais visitas. Por isso, depois de ler a sua crónica, acho que lhe devo colocar um desafio, que é escrever um livro de contos (ou de crónicas) luso-angolanas, pois já tem garantido um leitor. Mãos á obra, se a obra lhe agradar, naturalmente. Sobre o racismo e outros "ismos", são temas que interessam aos fundamentalistas e a outros "istas". Já lá vai tempo em que os alentejanos, os espanhóis e as sogras, eram o bombo da festa no anedotário luso, particularmente do autóctone para riba do Tejo. De vez em quando lá encontro uma, como ainda ontem ouvi de um "especialista" nesta repertório. E para captar auditório, imitou os "com que ursos" sobre perguntas dos canais abertos: "Num dia de trovoadas, com trovões e raios, qual o melhor lugar para se ficar abrigado?" Como ninguém soubesse a resposta, o "esperto" largou: "Junto da sogra, porque não há raio que a parta!" Isto será considerado racismo, machismo, sogrismo, sacripantismo ou genrismo, termos que deixo aos dicionaristas para classificação adequada.
Do meu sofá da Cidade Planáltica, para o sofá da Cidade Morena, nesta sala hoje por nossa conta (até ver...) um grande abraço atlântico
Ahahahah! Cuidado que isso das sogras, ainda vai ser objecto de regulamentação! Pela minha parte já tive duas, cruzes canhoto! Verdade que uma, algarvia, era minha grande fã e fazia questão de o ser, mesmo depois de me divorciar da filha! A outra, era mais moderada, e à moda de Sátão comentou certa vez que eu era um "rapagão", o que, e tendo em conta que eu já tinha 42 anos, não deixa de ser simpático! Nada me move contra as sogras, mas fazem parte do nosso anedotário! Vão-me perdoar a brejeirice, mas não resisto a contar uma daquelas outras nossa histórias, esta da autoria do falecido e de boa memória Mestre Xico Baleizão, pedreiro e grande caçador de Amareleja, terra de muitos fenómenos! Falava-se uma ocasião e em conclave de caçadores, numa daquelas reuniões e petiscada de final de caçaria, do relacionamento íntimo entre pessoas de sexos diferentes, como é de da Natureza, e mais exactamente dentro do casal. O Mestre Xico, do alto da sua idade e experiência de homem casado há mais de cinquenta anos, dizia que a malta nova nada entendia do assunto, e contava a propósito, que certa vez, "eu e mais a minha senhora, aquilo foi de tal modo, que tremeram as paredes, bateram portas e janelas, e, abanou o telhado! Até a sogra, que dormia no quarto ao fundo do corredor, veio diante da porta do quarto deles bater palmas e exclamara: Boa, Xico! Boa!". Que mais dizer? Com o aval da sogra… Ahahah!
Grande abraço aí para as Beiras, de que me faltou hoje um queijo de ovelha… bebemos um tinto Sul-africano daqueles de categoria, e eu só dizia: falta-me Serra! Enfim, mais 8 dias e terei de matar a saudade!