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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Jan17

Cultura geral

Maria do Rosário Pedreira

Nós, portugueses, temos fama de nos queixarmos constantemente de tudo – o mau tempo, a falta de dinheiro, as políticas do governo… – e, se é um facto indesmentível que o mundo anda mesmo às avessas, a verdade é que também há coisas que estão a melhorar, e eu diria que a RTP é uma delas, sobretudo a RTP2, que está a saber combinar serviço público e entretenimento da melhor maneira. No próximo domingo à noite, é lá que vai estrear-se um programa da autoria de Anabela Mota Ribeiro que promete: chama-se Curso de Cultura Geral e propõe aos convidados que falem do que é hoje ser culto, baseando-se nas suas experiências pessoais e numa lista de coisas que viram, leram, ouviram, sentiram, e os marcaram para a vida. Haverá gente de todas as áreas, famosos e desconhecidos, especialistas e aprendizes, bancários, padres, jovens e muito mais. A produção avisa que a paridade foi uma preocupação e que, em 13 programas, participarão 39 mulheres. Eu também lá vou estar (sobre isso falarei um destes dias), mas não é por ter sido convidada que recomendo o programa, antes porque estou certa de que todos os que lá vão aprendem tanto como os que os ouvirem a partir de casa. No próximo domingo, cerca das 22h30, ligue a televisão e fique a saber mais coisas.

5 comentários

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    Anónimo 06.01.2017

    Extraordináriamente bem observado!

    E, permito-me avançar ainda: também sobre a cultura propriamente dita, nem a técnico-científica nem a artística, mas falo da cultura numa perspectiva daquilo que é a do nosso povo, o que se faz e pensa todos os dias, essa que é desprezada normalmente pelas "elites" bem-pensantes, as das artes e área técnico-científica. A cultura do trolha e dos piropos, o calão vernáculo do trabalhador e do operário, do futebol, a do vinho ou da "mine", a da alheira, a da sardinha assada e da "sandes" de coirato, a cultura do Sol e do azeite, da praia, do futebol, de Fátima, do fado, dos toiros, o marialvismo, o bairrismo do Norte, os "pintas" e as peixeiras, os tendeiros, a dos esquemas, das tabernas, das repartições, dos bairros, das telenovelas para pessoas desocupadas ou sem horizonte na sua rotina, frustradas ou deprimidas, dos programas da manhã e tarde para idosos solitários, dos festivais alcoólico-musicais para jovens desinteressados... no fundo é essa a verdadeira cultura, a que faz de nós um povo (aliás espalhado pelas sete partidas do Mundo, onde assume e ganha novas culturas) e bem mais do que a dos outros aqui referidos, que representam uma pequena parte e não o todo que é o país.
    Normalmente resume-se a cultura a esse nicho!

    Saudações deprimidas (tou quase a ir embora...) cá do Bairro Ribatejano.

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    Beatriz Santos 06.01.2017

    Desculpe, mas não estou a ver...queria uma data de programas sobre o calão vernáculo e os mil e um pormenores da vida quotidiana de que as novelas fazem cópia?! e por que razão pensa o senhor que isso seja educativo? E por que fala em elites se o programa vai ter gente de muito e variado quadrante...não julgo que se educa apenas reproduzindo as vivências quotidianas, a educação - que, como sabe, forma e informa - tem de ser mais, estar para além de; e dar o que falta na sociedade civil. Ou sugerir. Ou cativar para. Sem impôr, de preferência. As pessoas comuns, como eu, desconhecem tanta coisa como não faz ideia. Algumas sabem que desconhecem. Outras, nem isso. Portanto, em primeiro lugar há que dar a saber que elas existem. E depois mostrar que, algumas, como os livros, por exemplo, estão ao alcance de muita gente. Há sistemas de trocas, empréstimos, vendas em segunda e mais mãos, que são baratas... E quem sabe isto pode acontecer com a música, o teatro, a dança, a ida aos museus...tudo isto meu amigo, quando for de todos e comum, teremos um povo diverso, a sua atitude em relação à arte é de respeito e admiração. Até lá, mesmo que os museus se encham, se forem sempre os mesmos a visitá-los (e sim, são quase os mesmos) ou se os visitem sem a atitude que compete, munidos de espírito disposto a amar e admirar, aí sim, continuamos nessa das elites. E já agora sempre lhe digo que a escola podia e devia fazer muito mais nesse sentido.

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    Anónimo 06.01.2017

    Inzáctamente! Defendo que a cultura é o que se faz todos os dias e não apenas nas salas de espectáculos, museus, blogs de leitura...
    Por sistema os programas dedicados a cultura são chatos, maçadores e aborrecidos, porque só tratam daquilo que apenas uma minoria, a tal elite a que aludo, e não às pessoas comuns, a todas as pessoas.
    Se entendeu que quero ouvir o Fernando Rocha e o Quim Barreiros, entendeu mal, se bem que também façam parte da cultura brejeira, da nossa cultura popular que é desprezada e talvez por isso seja de baixa qualidade. Não é com injecções de chatice ao povo que se faz dele "culto" no sentido em que entende a cultura.

    Volto a repetir que Anabela Mota Ribeiro tem o meu voto de confiança para não ser uma seringa de aborrecimento.

    Parece-me que não entendeu nada daquilo que escrevi, deve ser defeito meu pois sempre implica comigo por isso já estou habituado.

    Votos de Bom Ano com o menos de azia possível, lembre-se que há quem esteja pior!
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    Beatriz Santos 07.01.2017

    Caro senhor

    peço desculpa, mas na verdade não queria implicar, só entender. Sou pouco dada a implicâncias. As minhas desculpas.
    Tenha um bom fim de semana. E não deprima que há coisas boas em todo o lado.
    Obrigada pelos votos. Bons votos dão sempre jeito.
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