urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinariasHoras ExtraordináriasAs horas que passamos a ler.LiveJournal / SAPO BlogsMaria do Rosário Pedreira2019-03-25T08:30:00Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5091382019-03-25T08:30:00Lenda e descoberta2019-03-21T17:33:44Z2019-03-21T17:33:44Z<p style="text-align: justify;">O pai de Gabriel García Márquez dizia que o filho devia ter dois cérebros, pois duvidava de que alguém que tivesse apenas um fosse capaz de tanta imaginação desde criança… É verdade que o seu querido Gabito (parece que lhe chamavam assim em pequeno) evidencia esse inegável talento para efabular em muitos dos seus romances, desde logo em <strong>Cem Anos de Solidão;</strong> mas diz-se que também na vida real criou algumas «lendas» sobre o destino de manuscritos e versões dactilografadas de livros seus. Parece, por exemplo, ter contado que metade das páginas de um dado romance se perdera porque, quando chegou aos Correios para as mandar ao editor, não tinha dinheiro suficiente para pagar o selo; e, como nessa altura o valor dependia do peso, mandou ao editor a primeira metade e o resto ficou para o dia seguinte. Ao editor, porém, só chegaria o segundo pacote… Disse também que não sabia o que era feito do dáctilo-escrito corrigido à mão da sua obra mais emblemática e que tinha um grande desgosto por o ter perdido. Mas agora descobriu-se que, afinal, o tinha oferecido ao próprio revisor do livro, o crítico mexicano Emmanuel Carballo, embora o filho do escritor colombiano estivesse convencido de que o pai destruíra todos os esboços e provas dessa obra maior. A descoberta vai, porém, deixar muita gente feliz, sobretudo os estudiosos do autor, que vão poder saber o que estava no livro antes da versão final. Se Gabo mentiu de propósito ou já não conseguia senão inventar, não sabemos.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5084662019-03-22T08:26:00Crónica e CCB2019-03-18T15:35:56Z2019-03-22T10:05:06Z<p>Hoje é dia de partilhar a crónica do <em>Diário de Notícias.</em> Aqui vai o <em>link:</em></p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-mar-2019/interior/de-joelhos-10652943.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-mar-2019/interior/de-joelhos-10652943.html</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia, amanhã à tarde haverá leituras no Centro Cultural de Belém, como, de resto, é hábito de há uns anos a esta parte. Alguns poetas portugueses (Nuno Júdice, Pedro Mexia, esta vossa criada...) e gente ligada à música (o fadista Camané, Luís Represas, entre outros) foram «arrebanhados» para ler poesia da América Latina. Lerei dois poemas, um colombiano e outro da Costa Rica. Se tiverem curiosidade em saber quais, apareçam no CCB depois de almoço. Bom fim-de-semana!</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5082042019-03-21T08:23:00Dia da Poesia2019-03-18T15:26:21Z2019-03-18T15:26:21Z<p style="text-align: justify;">Hoje, não sei se sabem, celebra-se o Dia Mundial da Poesia e, à semelhança do que tem sido feito nos últimos anos, a Casa Fernando Pessoa inaugura uma feira do livro dedicada a este género literário no bairro de Campo d’Ourique, mais precisamente no Jardim Teófilo Braga, conhecido por Jardim da Parada. Nesta feira, de quinta a domingo, estarão presentes com <em>stands</em> próprios editoras pequenas que publicam preciosidades que, dadas as regras do mercado, nem sempre conseguem ser colocadas nas livrarias mais frequentadas. Falo, por exemplo, da Abysmo, da Mariposa Azual (não é gralha, é mesmo Azual), da Douda Correria, da Averno, que publicam poesia de autores excelentes. Esta tarde haverá um recital no antigo Cinema Europa, pelas 18h30, pela voz da actriz Beatriz Batarda, acompanhada pela música de Nuno Rafael, e amanhã um outro, da responsabilidade de João d’Ávila. Mas o programa é extenso, envolve também a Casa Llansol e pode ser consultado no<em> link</em> abaixo. Aproveitem!</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.jf-campodeourique.pt/wp-content/uploads/2019/03/cartaz-A4-Feira-do-Livro-JFCO-FPESSOA-2019.pdf">http://www.jf-campodeourique.pt/wp-content/uploads/2019/03/cartaz-A4-Feira-do-Livro-JFCO-FPESSOA-2019.pdf</a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5088472019-03-20T09:18:00Feminino plural2019-03-18T18:30:19Z2019-03-20T10:52:28Z<p style="text-align: justify;">Alguém, acho que no Facebook, partilhou um texto muito interessante de uma escritora norte-americana chamada Grace Paley (confesso que nunca a li, mas fiquei com vontade). Dizia assim: «As mulheres escrevem de uma maneira diferente da dos homens. As mulheres sentem-se confortáveis falando do que é pessoal, ao contrário dos homens. As mulheres sempre compraram livros escritos por homens, sabendo que não eram livros sobre elas. Mas continuaram a fazê-lo com grande interesse, porque era como ler sobre um país estrangeiro. Os homens nunca devolveram essa gentileza.» A revista que citava a escritora Paley, uma publicação espanhola com edição brasileira (seria o <em>El País?</em>), sugeria então livros escritos por mulheres que os homens deveriam ler. E, juntando alguns desses a outros de que me fui lembrando, forneço aqui mais de uma dúzia de títulos de ficção escrita por mulheres que porão certamente os homens a pensar (mas que todos devemos ler, independentemente do sexo). Eles aí vão:</p>
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<ol>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>O Deus das Pequenas Coisas</strong>, Arundhati Roy</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Rebecca</strong>, Daphne du Maurier</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>A Balada do Café Triste</strong>, Carson McCullers</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Cisnes Selvagens</strong>, Jung Chang</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Persépolis,</strong> de Marjane Satrapi</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Jane Eyre</strong>, de Charlotte Brontë</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Lila, </strong>de Marilynne Robinson</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Manual para Mulheres de Limpeza</strong>, Lucia Berlin</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>A História de Uma Serva,</strong> de Margaret Atwood</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>A Hora da Estrela</strong>, de Clarice Lispector</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Diários</strong>, Anaïs Nin</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Orlando,</strong> Virginia Woolf</span></li>
<li><strong><span style="font-size: 14pt;">Bonjour Tristesse</span></strong><span style="font-size: 14pt;">, Françoise Sagan</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>A Campânula de Vidro</strong>, de Silvia Plath</span></li>
<li><span style="font-size: 14pt;"><strong>Um Bom Homem é Difícil de Encontrar</strong>, Flannery O’Connor</span></li>
</ol>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5080452019-03-19T08:51:00Pai2019-03-16T17:05:15Z2019-03-19T10:25:17Z<p style="text-align: justify;">Hoje é Dia do Pai, e tenho muitas saudades do meu. Ao contrário de mim, que tenho tendência para a melancolia, o meu pai tinha um talento natural para a graça e um sentido de humor incrível. E possuía um manancial de histórias formidáveis para contar, que deveríamos ter gravado ou apontado enquanto era vivo, já que o mais provável é que se percam na nossa geração (os netos eram quase todos bastante pequenos quando ele morreu e alguns nem nascidos eram). Pois houve alguém (a editora Esfera dos Livros) que teve agora uma belíssima ideia e que, mesmo que o objectivo tenha sido apenas facturar à custa de filhos preguiçosos que não sabem o que oferecer ao pai neste dia, acertou na <em>mouche.</em> Criou um livro-caderno (sim, lá dentro as páginas são todas brancas), intitulado <strong>Pai, Conte-Me a Sua História</strong>, para que os filhos entrevistem os pais sobre a vida deles e registem as suas memórias, passando juntos momentos que de certeza não esquecerão. (As recordações do pai escritas pela mão do filho também podem ajudar os mais novos a melhorar a sua caligrafia, claro, uma vez que hoje a juventude se limita praticamente às teclas quando quer comunicar). Este é um bom presente para pai e filho que, mais tarde, pode vir a ser lido a netos e bisnetos, mantendo vivas as histórias da família.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5077132019-03-18T08:28:00Lágrimas de crocodilo?2019-03-16T16:42:37Z2019-03-18T12:39:25Z<p style="text-align: justify;">Li com atenção em vários jornais, diários e semanários, artigos e crónicas lamentando o fecho da Tema. A Tema era uma loja muito antiga na Praça dos Restauradores, em Lisboa, que vendia a melhor selecção de jornais e revistas estrangeiros em Portugal inteiro. Lá, era possível encontrar coisas mais ou menos fáceis de encontrar noutros sítios como o <em>Le Figaro,</em> o <em>The New York Times,</em> o <em>Nouvel Observateur</em> ou o <em>The Guardian,</em> publicações para grupos mais restritos como o <em>Magazine Littéraire,</em> a <em>New Yorker</em> ou a <em>London Review of Books</em>, mas também imprensa muito específica dedicada à moda, ao <em>design,</em> à arquitectura, ao cinema, à fotografia, à ciência..., em suma, a qualquer coisa de que nos lembremos (li no <em>Público</em> que até sobre látex havia lá uma revista, calculem). A Tema fechou portas e, pronto, toda a gente chorou, chamando-lhe até um "escândalo cultural". E percebo que tenham chorado pessoas como Miguel Esteves Cardoso, criadas desde pequeninas com a cultura inglesa, ou embaixadores que se habituaram a ler a imprensa estrangeira, ou artistas que aprenderam com o que se faz lá fora, ou intectuais que acompanham a "cena internacional". Mas, entre os que choraram, haveria assim tantos a ler, ainda hoje, jornais em papel? Não creio. Vejo cada mais mais gente a consultar as notícias <em>online</em> gratuitamente e cada vez mais apelos dos jornais a que os leitores contribuam com alguma coisa. Por isso, qual é a admiração com o fecho da Tema? Não aguentou ela muito tempo? Se ninguém já lê jornais em papel, como ter uma loja de porta aberta para os vender?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5075662019-03-15T09:00:00Crónica e chega2019-03-13T11:01:22Z2019-03-13T11:01:22Z<p>Como anunciado ontem, aqui vai:</p>
<p> </p>
<p><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-mar-2019/interior/brinquedos-modernos-10629551.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-mar-2019/interior/brinquedos-modernos-10629551.html</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5071892019-03-14T08:51:00Quintas de leitura2019-03-13T10:59:14Z2019-03-13T10:59:14Z<p style="text-align: justify;">Hoje o <em>post</em> é pobre porque estou a norte, na Invicta, para participar nas Quintas de Leitura, um espectáculo de poesia no Teatro do Campo Alegre, às 22h00, dedicado à minha escrita para fado. E, como estou com uma bestial rinite, porque apanhei sol na cabeça no domingo passado e um ventinho no pescoço a que devia ter estado atenta, o meu nariz pinga e a minha voz está uma lástima, embora haja pessoas que consideram o rouco sensual, mas eu já passei dos 50... Os diseurs vão ser, além desta vossa criada, Jorge Mota, Pedro Lamares e a fadista portuense Patrícia Costa. A conversa será com o grande Rui Vieira Nery, e cantará no final o enorme António Zambujo. Tenho mesmo sorte de ter comigo estas pessoas todas. Até me vou esquecer da rinite. Amanhã ponho apenas o <em>link</em> da crónica, não dá para mais. Obrigada pela paciência.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5069882019-03-13T08:48:00Literatura e empatia2019-03-06T17:20:12Z2019-03-13T10:51:25Z<p style="text-align: justify;">Leio um artigo maravilhoso do grande Alberto Manguel sobre a capacidade que a literatura tem de nos tornar pessoas melhores. Diz ele que um dos seus livros de infância foi o romance <strong>Coração,</strong> de Edmundo de Amicis (que curiosamente o Manel também refere sempre como um dos que mais o terão marcado em jovem), hoje praticamente esquecido. É a história de um rapaz genovês que sai de casa para ir à procura da mãe, que trabalha na Argentina, e Manguel conta que chorou pela dor do rapaz e se perguntou se seria capaz de fazer o mesmo. E que, daí em diante, muitas das personagens dos romances – Jane Eyre, Anna Karénina, Robinson Crusoe, Dom Quixote – o ensinaram a pôr-se na pele do outro e a perceber o que era realmente o sofrimento e a alegria alheios. Diz que a literatura, não tendo aparentemente utilidade, tem-na, justamente por nos tornar muito mais atentos para o outro, disponíveis para escutar as suas angústias, nomear as nossas e partilhar problemas quotidianos. E conclui que isso é mais importante hoje do que no passado, pois muitas lutas têm hoje de se fazer de forma colectiva e solidária (em relação às crises migratórias, por exemplo). Depois apresenta números de um estudo universitário sobre a relação entre a leitura literária e a empatia. E ela existe, claro: quem lê literatura é de longe mais empático. Se ensina crianças e jovens, pense nisto.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A pedido de várias famílias, junto os <em>links</em> pedidos:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><a href="https://www.nytimes.com/es/2019/03/03/literatura-empatia/">https://www.nytimes.com/es/2019/03/03/literatura-empatia/</a></p>
<p><a href="http://science.sciencemag.org/content/342/6156/377.abstract?sid=f192d0cc-1443-4bf1-a043-61410da39519">http://science.sciencemag.org/content/342/6156/377.abstract?sid=f192d0cc-1443-4bf1-a043-61410da39519</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5068182019-03-12T08:58:00O obsceno literário2019-03-06T17:02:52Z2019-03-06T17:02:52Z<p style="text-align: justify;">Ouço e leio que Bolsonaro, para criticar a pornografia, postou também ele pornografia, não fossem as pessoas não saber o que era e precisarem de ver um exemplo especialmente edificante. Obscenidade por obscenidade, o melhor é ter em atenção a colecção de livros «obscenos» que a British Library está a digitalizar, obras escritas entre 1658 e 1940, mas com especial tónica nos séculos XVIII e XIX, em que a literatura dita erótica ou pornográfica (eu sei lá qual a melhor classificação) floresceu. Todos conhecemos o Marquês de Sade, evidentemente, mas desconhecemos, por exemplo, John Cleland, que escreveu em 1748 um romance intitulado <strong>Fanny Hill</strong> que, segundo o artigo da <em>Open Culture,</em> não desilude nem como livro pornográfico nem como literatura de entretenimento. Muitos outros títulos, proibidos na sua época, tiveram como destino os «cofres» da British Library, sobretudo para não chegarem às mãos do público (o que os queria ler e o que os queria destruir) – o que acabou por ser bom pois tornou agora fácil a sua digitalização para todos os subscritores dos Arquivos de Sexualidade e Género da biblioteca. E, segundo o que leio, há obras imensamente interessantes, escritas por homens e mulheres, em variadíssimas épocas, sobre educação sexual, homossexualidade e fluidez de género. Para os interessados, há mais informações (entre as quais deliciosas capas) aqui:</p>
<p> </p>
<p><a href="http://www.openculture.com/2019/02/the-british-library-digitizes-its-collection-of-obscene-books-1658-1940.html">http://www.openculture.com/2019/02/the-british-library-digitizes-its-collection-of-obscene-books-1658-1940.html</a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5064172019-03-11T08:33:00A poesia como cura2019-03-06T16:42:10Z2019-03-06T16:42:10Z<p style="text-align: justify;">Foi o grande poeta John Milton, o autor de <strong>Paraíso Perdido </strong>(cuja tradução portuguesa é do poeta Daniel Jonas), quem disse que a palavra tem a capacidade de curar uma mente perturbada e é um bálsamo para as feridas. Pois bem: uma sua leitora do século XXI, Deborah Alma, poetisa também, decidiu abrir a primeira farmácia de poesia, como nos conta o sempre gratificante <em>The Guardian</em>. Aí, a poeta de urgência vai receitar, em vez de analgésicos, comprimidos para dormir e antidepressivos, poemas de Blake, Eliot, Shakespeare, Elizabeth Bishop, Robert Browning e muitos mais, à semelhança do que tem andado a fazer na última década numa ambulância que é também uma biblioteca itinerante de poesia, mas agora num espaço fixo de um antigo convento. Diz que está a ficar velha para andar por aí a conduzir e que se apaixonou pelo lugar, com estantes, prateleiras e armários antigos que fazem aquela farmácia de poesia parecer mesmo uma antiga farmácia. Em dois anos conseguiu pagar a hipoteca e agora está mesmo apostada em ajudar quem precisa por meio da poesia, que é o género literário que, segundo Deborah, mais fala à alma das pessoas, mais dialoga com os leitores e os ajuda, por exemplo, a perceber que não são os únicos a sofrer de determinado desgosto, ou perda, ou depressão. No espaço aberto ao público vai haver também uma secção infantil, um gabinete de consultas, um café e um auditório para leituras, <em>performances,</em> oficinas e até refúgios para quem quiser escrever. Por cá, ouço dizer que mais de 40% dos portugueses sofrem de uma ou mais doenças crónicas. E se se pusessem a ler poesia, hã?</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5062502019-03-08T08:49:00Crónica e Abecedário2019-03-06T15:52:27Z2019-03-07T12:09:51Z<p>Hoje é dia de crónica e aqui vai o<em> link:</em></p>
<p> </p>
<p><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-fev-2019/interior/desperdicios-10602453.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-fev-2019/interior/desperdicios-10602453.html</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Começa hoje em Lisboa (e vai até segunda) a primeira edição do <strong>Abecedário – Festival da Palavra,</strong> um evento literário que visa «promover as livrarias de rua e o livro enquanto veículo cultural». A palavra homenageada este ano é «fronteira», que será explorada no programa por escritores, pensadores, encenadores, realizadores, artistas plásticos, gestores culturais e músicos lusófonos, através da realização de tertúlias, cafés literários, declamações e concertos. A iniciativa foi de Carlos Moura-Carvalho e tem o apoio, entre outros, da Câmara Municipal de Lisboa, da DGLAB e da APEL. Informações sobre temas, participantes, locais e horários nos <em>links</em> abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><a href="http://dglab.gov.pt/wp-content/uploads/2019/02/programa.jpg">http://dglab.gov.pt/wp-content/uploads/2019/02/programa.jpg</a></p>
<p><a href="https://observador.pt/2019/03/06/lisboa-ao-sabor-da-palavra/?fbclid=IwAR3iiNoUkthMAwLdSUC6sXmIQLM3JLNblluwfKLqqw7ZvqlgMRz1VY5-FeM">https://observador.pt/2019/03/06/lisboa-ao-sabor-da-palavra/?fbclid=IwAR3iiNoUkthMAwLdSUC6sXmIQLM3JLNblluwfKLqqw7ZvqlgMRz1VY5-FeM</a></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5060942019-03-07T09:10:00S.2019-03-01T16:25:25Z2019-03-07T12:10:06Z<p style="text-align: justify;">Parece que é hoje que estreia o novo filme de Patrícia Sequeira (a também realizadora da longa-metragem <strong>Jogo de Damas</strong>, com um grupo de grandes atrizes, que tive oportunidade de ver há uns dois anos). Trata-se desta feita de uma obra que parte da história verdadeira de Snu Abecassis, a dinamarquesa nascida Ebba Merete Seidenfade, que se casou com o português Vasco Abecassis e por isso veio parar a Portugal, onde teve três filhos, fundou as Publicações Dom Quixote e conheceu Francisco Sá Carneiro, com quem acabaria por viver (e morrer, na controversa queda de uma avioneta em Camarate, no final de uma campanha para a Presidência da República, em 4 de Dezembro de 1980). Sobre este assunto, escreveu Miguel Real há alguns anos um pequeno livro intitulado <strong>O Último Minuto na Vida de S.,</strong> que recria o que terá sido pensado pela editora dinamarquesa durante o último minuto da sua vida ao lado daquele que era então primeiro-ministro de Portugal, e que já teve adaptação teatral. E escreveu a jornalista Cândida Pinto o livro <strong>Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro</strong>, que vai em quarta edição. Uma boa razão para voltarmos a eles nesta altura em que se vai certamente continuar a falar de Snu (recentemente, ela foi uma das personagens visadas numa série intitulada <strong>Três Mulheres</strong>, que está nomeada para vários prémios).</p>
<p> </p>
<p><span style="left: 280.283px; top: 506.36px; font-size: 13.3333px; font-family: sans-serif; transform: scaleX(0.865648);"> </span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5057832019-03-06T08:41:00Escher numa livraria chinesa2019-02-28T12:53:39Z2019-03-06T12:20:07Z<p style="text-align: justify;">Estou quase certa de que falei aqui há tempos numa exposição do grande Escher, um dos génios maiores do Desenho e da Pintura da sua Holanda natal e do mundo. Creio que a exposição da sua obra em Lisboa deveria ter findado em Setembro de 2018, mais coisa menos coisa; mas devido à grande afluência de visitantes (sobretudo de escolas), estendeu-se por mais uns meses e só agora está a chegar ao Porto, onde ficará, pelo menos, até 28 de Julho (aproveite!). Ora, falo de Escher outra vez aqui no blogue porque ele parece ter inspirado uma grande livraria chinesa absolutamente irreal (mas real). E não só por se parecer com um desenho do referido mestre, mas por ter 80.000 livros à venda (é obra)! Desenhada por Li Xiang, jovem artista, a livraria é composta por uma série de escadas escherianas que, segundo o que leio, copiam as montanhas da cidade, e tectos de vidro que permitem entrar a luz. Anda tudo doido com a livraria, e eu espero sinceramente que isso queira dizer que muitos dos que lá vão querem, mais do que tudo, comprar um livro para ler. Deixo-vos imagens:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="cgente.jpg" src="https://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B05178b79/21368707_6ijyh.jpeg" alt="cgente.jpg" width="500" height="258" /></p>
<p> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="sgente.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be517d288/21368713_uymPz.jpeg" alt="sgente.jpg" width="500" height="250" /></p>
<p> </p>
<div class="col-md-12">
<div class="row small">
<div class="margin-top-10 share-this hidden-print margin-right-10 hidden-sm hidden-xs"> </div>
</div>
</div>
<p><span class="st_sharethis"><span class="stButton" style="text-decoration: none; color: #000000; display: inline-block; cursor: pointer; padding-left: 0px; padding-right: 0px; width: 16px;"><span class="chicklets sharethis"> </span></span></span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5055852019-03-01T09:18:00Crónica e o que ando a ler2019-02-28T12:28:17Z2019-02-28T12:28:17Z<p>Hoje é dia de crónica, e aí vai o <em>link:</em></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-fev-2019/interior/morrer-em-directo-10576484.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-fev-2019/interior/morrer-em-directo-10576484.html</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Mas também é dia de dizer o que ando a ler, pois o mês de Março começa hoje; e ando a ler um interessante livro que me ofereceu Itamar Vieira Júnior, o mais recente vencedor do Prémio LeYa, sabendo como gosto de poesia. O projecto é, de resto, muito interessante, porquanto configura uma correspondência entre duas pessoas (dois poetas conterrâneos e contemporâneos de Itamar chamados Ana Martins Marques e Eduardo Jorge), correspondência essa que diz respeito a um período muito específico em que a poetisa morou na casa do poeta (mas não com ele, entenda-se). Quando alugamos um apartamento (como, aliás, refere o texto de contracapa), não alugamos só a casa, mas vizinhos, porteiros e muito mais. Estou a deliciar-me com este <strong>Como Se Fosse a Casa (Uma Correspondência).</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><em>P. S.</em> Vou fazer ponte carnavalesca e só volto na quarta. Descansem e leiam.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5052212019-02-28T08:50:00Manicómio2019-02-25T15:55:24Z2019-02-25T15:55:24Z<p style="text-align: justify;">Antes, mandar alguém para o manicómio podia ser deveras insultuoso, mas deparei recentemente com um artigo de jornal em que um artista se dizia muito contente por ir trabalhar para o Manicómio. Bem, tenho de explicar porquê: é que este Manicómio é um espaço de trabalho conjunto (de <em>coworking,</em> como agora se diz) no Beato, em Lisboa, para artistas e escritores com doença mental; na companhia uns dos outros, seja qual for a área (desenho, escultura, escrita), podem ali criar com dignidade e sem preconceito (e até pedir opiniões ou inspirar-se no trabalho alheio). O projecto foi criado por Sandro Resende e José Azevedo, que trabalharam durante vários anos no Hospital Júlio de Matos com pessoas com «experiência de doença mental», cruzando às vezes os seus trabalhos com os de artistas plásticos de renome (Pedro Cabrita Reis, Jorge Molder...) e artistas internacionais (Kusturica, por exemplo). Segundo eles, a ideia é tirar as pessoas dos hospitais psiquiátricos e integrá-las em espaços de criatividade, recebendo elas além disso um salário pelo seu trabalho. Com este artigo, descobri que a poetisa Cláudia R. Sampaio está neste espaço a desenhar (além de escrever) e que é sua a frase sobre a felicidade de ir para o Manicómio (diz que este é mesmo um bom nome para um grupo de artistas com uma sensibilidade muito apurada). Os seus desenhos são, aliás, bem bonitos (há um vídeo em que a vemos pintar) e estão à venda como qualquer outro objecto artístico, sem preços de favor. Existe ainda a ideia de abrir um restaurante chamado Manicómio neste espaço. O nome é tão bom (ou melhor) do que qualquer outro.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5050392019-02-27T08:27:00Jornalismo cultural2019-02-25T15:28:29Z2019-02-25T15:28:29Z<p style="text-align: justify;">Todos os anos a Sociedade Portuguesa de Autores atribui um prémio de jornalismo cultural àqueles que se dedicam especialmente a divulgar a cultura nos nossos meios de comunicação; e deve estar a fazer mais ou menos um ano que falei aqui de Nuno Pacheco, jornalista do <em>Público</em> que se tem dedicado, entre outras coisas, à divulgação da música portuguesa (e a bater no Acordo Ortográfico, o que também é importante) e foi o vencedor em 2018. Anunciado há dias, o prémio de 2019 irá ser entregue, no próximo dia 7 de Março, ao jornalista Luís Caetano, que é uma voz inconfundível da Antena 2 da RDP. Depois de ter apresentado, com Inês Fonseca Santos, o programa diário <strong>Câmara Clara</strong> na RTP 2, Luís Caetano é responsável por apresentar na rádio, entre outros, os programas <strong>A Força das Coisas, A Ronda da Noite</strong> e <strong>A Vida Breve</strong>. E, além disso, sabe conduzir mesas-redondas e ler poesia, o que não é para todos. Parabéns!</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5046782019-02-26T09:05:00A bibioteca de um estilista2019-02-25T15:08:01Z2019-02-25T15:17:06Z<p style="text-align: justify;">Karl Lagerfeld, o estilista de alta-costura que foi responsável por marcas tão conhecidas como a Fendi ou a Chanel, morreu há mais ou menos uma semana e foi chorado por muitos, incluindo a princesa Carolina do Mónaco, que era sua amiga. Rui Zink, na sua prestação nas Correntes d’Escritas uns dias depois do acontecimento, disse, com o humor de sempre, que a partir de agora já não vai saber como se vestir; mas curiosamente não é a sua roupa (a desenhada por Lagerfeld, entenda-se) que aqui me traz hoje, mas a sua biblioteca. Antes de tudo, é gigantesca, já que compreende centenas de catálogos de colecções; e, formada sobretudo por álbuns (de pintura, arquitectura e <em>design</em>), foi uma exigência do costureiro alemão a colocação dos volumes nas estantes horizontalmente, para a fácil e rápida identificação dos títulos. Com o pé-direito altíssimo, a sala onde foi instalada é quase totalmente preenchida por livros, exceptuando uns sofás confortáveis em que os leitores podem sentar-se a ler e umas escadas para chegar ao topo das estantes. Noutras salas de casa do estilista, também há livros, colocados sempre na horizontal com a lombada para fora. Não sei o que será agora desta colecção de livros de Lagerfeld – e espero que não venham a ser vendidos a peso, como tantas vezes sucede quando as gerações seguintes não ligam aos livros nem têm onde os pôr. E, enquanto não desfazem a biblioteca, deixo-vos algumas imagens para se extasiarem.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6318af17/21365109_jOTbf.jpeg" alt="2.jpg" width="500" height="333" /></p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="3.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0c18d7fa/21365110_aMzZQ.jpeg" alt="3.jpg" width="500" height="375" /></p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5043962019-02-25T08:29:00Querida loja de conveniência2019-02-15T17:39:01Z2019-02-26T10:23:10Z<p style="text-align: justify;">Keiko foi sempre estranha – e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga vai trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar. Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento? Este é o ponto de partida de <strong>Uma Questão de Conveniência</strong>, de Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa. O romance, que foi traduzido em mais de vinte países e vendeu 650 000 exemplares no Japão, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain. Espero que gostem.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Loja de Conveniência K 3D (2).jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3618624a/21355145_WfW5e.jpeg" alt="Loja de Conveniência K 3D (2).jpg" width="388" height="500" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5035072019-02-22T08:24:00Crónica e convite2019-02-15T16:38:55Z2019-02-15T17:28:54Z<p style="text-align: justify;">Hoje é dia de partilhar a crónica, e desta vez tem que ver com acasos (ou não) que, bem vistas as coisas, se podem tornar desagradáveis. Aqui fica o <em>link:</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-fev-2019/interior/algoritmo-e-mulheres-nuas-10546818.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-fev-2019/interior/algoritmo-e-mulheres-nuas-10546818.html</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">E, para que não se esqueçam, deixo também o convite para segunda-feira. Trata-se de uma conversa à roda do romance vencedor do Prémio LeYa, Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior, na qual participam, além do autor, Ana Sousa Dias e Mirna Queiroz. Apareçam!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="convite torto arado_ (2).jpg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B42173a18/21355047_ruSzd.jpeg" alt="convite torto arado_ (2).jpg" width="640" height="480" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5040952019-02-21T08:19:00100 contos curtos2019-02-15T17:27:08Z2019-02-26T14:46:01Z<p style="text-align: justify;">Em Portugal, pelo menos até há uns anos, dizia-se que os livros de contos não tinham grande sucesso e os livreiros também torciam o nariz quando publicávamos colecções de contos, a menos que fossem de um autor já celebrizado por romances. Parece estranho, porque para quem, por exemplo, anda de autocarro entre a casa e o emprego, ou tem de esperar na sala do dentista por uma consulta, ou quer ler só umas páginas antes de adormecer, o conto tem o tamanho ideal e podia, por isso, servir os leitores portugueses como serve os norte-<cite class="iUh30"></cite>americanos, por exemplo, grandes apreciadores das <em>short-stories.</em> Espero que os os hábitos mudem, ou já tenham mudado, pois há contistas que não se podem perder, sendo Borges, por exemplo, um mestre no género, e Cortázar, seu conterrâneo, outro. Os latino-americanos são, de resto, autores de pequenas histórias incríveis e, para os Extraordinários que não vão na conversa da estatística e gostam de ler contos, deixo aqui uma lista de cem que apanhei por aí numa revista de cem contos curtos da literatura universal. Há mesmo muito por onde escolher!</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.yaconic.com/lee-100-cuentos-cortos/">https://www.yaconic.com/lee-100-cuentos-cortos/</a></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5039832019-02-20T08:51:00Que coisa mais linda2019-02-15T17:03:12Z2019-02-20T09:26:39Z<p dir="ltr" style="text-align: justify;">Bem, não consigo esconder que, apesar dos malefícios do turismo para as nossas cidades (e já se estão a ver na expulsão de pessoas das casas que há tantos anos habitavam, por exemplo), gosto muito de saber que lá fora consideram Lisboa e o Porto alguns dos melhores destinos turísticos do mundo; chamem-lhe patriotismo. Um dia destes uma poeta mexicana (Blanca Luz Pulido) mandou-me um artigo que começava assim (não traduzo, pois creio que os Extraordinários perceberão): «En Lisboa todos sus moradores son agradables, son corteses, son liberales y enamorados, porque son discretos.» Julguei que era de agora que falavam quando avancei no texto, toda inchada, e dei com isto: «La ciudad es la mayor de Europa y la de mayores tratos, en ella se descargan las riquezas del Oriente y desde ella se reparten por el universo. La hermosura de sus mujeres admira y enamora.» Oh diabo... Reparando melhor, concluí que estas eram palavras de Miguel de Cervantes, calculem, escritas em <em>Los trabajos de Persiles y Segismundo (1617),</em> romance publicado em Lisboa e Madrid um ano depois da sua morte. Pois parece que o autor do <strong>Quixote</strong> andou por estas bandas a ver se arranjava um emprego na corte de Filipe II. E esta, hein? Parece que nem os especialistas sabiam quase nada da estância de Cervantes na capital portuguesa que, ao que parece, foi justamente onde se fez escritor. Que orgulho, não? Coisa linda mesmo.</p>
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</aside>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5037412019-02-19T08:41:00Correntes x 20 anos!2019-02-15T16:49:48Z2019-02-15T17:57:56Z<p style="text-align: justify;">Hoje começam mais umas <strong>Correntes d'Escritas</strong>. Mas a data é mesmo especial porque se trata do 20.º aniversário deste fantástico encontro de escritores que, organizado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim com a querida Manuela Ribeiro como «curadora» (e não é que ela cura mesmo de todos os males?), se tornou o festival literário português mais importante do ano, de tal modo que os editores já escolhem publicar no mês de Fevereiro os títulos de autores de línguas ibéricas que têm em carteira. Eu, como editora, terei este ano muitos autores nas Correntes: Mário Cláudio, Isabel Rio Novo, Afonso Reis Cabral, António Tavares e o estreante Itamar Vieira Junior, de cujo romance ontem aqui falei. Mas vou eu própria participar de um diálogo com Luís Carmelo a propósito da minha maneira de escrever e, bem entendido, assistir ao desempenho de tantos e tantos intervenientes dois dois lados do Atlântico. Entre eles, conta-se a minha querida fadista e amiga Aldina Duarte, que também vai cantar mais logo no Teatro Garrett. Para quem esteja por perto, não perca as lindas Correntes. Quem vai uma vez quer ir sempre! Parabéns pelos 20 aninhos! Programa completo no link abaixo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.cm-pvarzim.pt/areas-de-atividade/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2019/programa">https://www.cm-pvarzim.pt/areas-de-atividade/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2019/programa</a></p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5030562019-02-18T09:12:00O nosso vencedor2019-02-15T16:21:01Z2019-02-15T16:24:23Z<p style="text-align: justify;">Hoje começarei o dia com o vencedor da última edição do Prémio LeYa, Itamar Vieira Junior, que vem às Correntes d'Escritas e estará em Lisboa para dar entrevistas e lançar o seu belo e comovente romance. <strong>Torto Arado</strong> fala de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, filhas de trabalhadores de uma fazenda no Sertão da Bahia, descendentes de escravos para quem a abolição é uma data marcada no calendário e nada mais. Intrigadas com uma mala misteriosa sob a cama da avó, pagam o atrevimento com um acidente que mudará as suas vidas, tornando-as tão dependentes que uma será até a voz da outra. Mas, com o avançar dos anos, a proximidade vai desfazer-se : enquanto Belonísia parece satisfeita com o trabalho na fazenda, Bibiana percebe desde cedo a injustiça da servidão que há três décadas é imposta à família e decide lutar pelo direito à terra. Para isso, porém, é obrigada a partir, separando-se da irmã... Para a semana, fazemos uma sessão em Lisboa, que lembrarei oportunamente. Entretanto, o livro está aí para quem o quiser ler.</p>
<p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="TortoArado_PrémioLeYa2018_K_3D (2).jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B84172627/21355040_1ULjQ.jpeg" alt="TortoArado_PrémioLeYa2018_K_3D (2).jpg" width="388" height="500" /></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:horasextraordinarias:5030172019-02-15T08:27:00Crónica e Pessoa2019-02-11T15:28:08Z2019-02-15T17:43:37Z<p>Aqui vos deixo o <em>link</em> da crónica em dívida:</p>
<p> </p>
<p><a href="https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-fev-2019/interior/kundera-e-o-pequeno-ecra-10509639.html">https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-fev-2019/interior/kundera-e-o-pequeno-ecra-10509639.html</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Aproveito para dizer que amanhã às 15h00 a casa Fernando Pessoa organiza uma visita de uma hora dedicada a pais e filhos, tios e sobrinhos, avós e netos... As crianças irão descobrir a vida do poeta, os adultos os cantinhos à casa. Os mais pequenos pagam 2 euros (na verdade, o preço é esse até aos 12 anos) e os crescidos 4 euros. E o que é mais bonito é que esta actividade de visita à casa, sob marcação, está também disponível para surdos, em língua gestual. As inscrições fazem-se neste link: <a href="mailto:servicoeducativo@casafernandopessoa.pt">servicoeducativo@casafernandopessoa.pt</a></p>
<p> </p>