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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Nov18

Defender a verdade

Maria do Rosário Pedreira

Hoje a maioria das pessoas já não compra jornais, o que não quer dizer que não os leia na Internet (não estou a falar de assinatura). Eu compro. Gosto do jornal em papel com as páginas todas a estalar e de o folhear de trás para a frente, hábito que julgo ter ganho há anos com a leitura da crónica de Eduardo Prado Coelho na última página do Público – e que agora aplico a todos os outros diários e semanários que costumamos comprar lá em casa (embora leia as revistas do princípio para o fim). Quando vejo uma notícia num jornal impresso, tendo a acreditar nela – o que já não me acontece, por exemplo, se a vir divulgada numa rede social (a morte de um actor ou escritor, um acidente, etc., tantas vezes seguida de um comentário a dizer que é treta). Em tempo de fake news usadas em campanhas políticas contra os adversários (há quem receba um ordenado para espalhar boatos desagradáveis e acusações graves), temos de ter cada vez mais sentido crítico e desconfiança em relação ao que lemos por aí – e, por isso, os jornais tradicionais continuam a ser uma espécie de porto seguro, sobretudo enquanto ainda lá trabalharem profissionais da verdade. Mas, para garantirmos que mantêm alguma isenção e não se deixam influenciar, que têm jornalistas a sério que não se vendem por tuta e meia, precisamos urgentemente de fazer com que se vendam mais, ou seja, precisamos de os comprar. Eu compro um todos os dias e três ao fim-de-semana. Compre também um jornal de vez em quando.

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 13.11.2018 10:37

    Ora nem é preciso dizer mais nada!
    Inteiramente de acordo Caríssimo Pedro. Foi essa a razão porque deixei de comprar jornais… eu pretendo ser informado, para tirar conclusões ou formar ideias não preciso de jornalistas a dizerem-me o que tenho de pensar.
    Claro que os artigos de opinião são interessantes, até muito, se tivermos gente de qualidade a fazê-los, que até existe, sem dúvida e tenho prazer em ler alguns opinadores da nossa praça, de todos os quadrantes pois há gente esclarecida em todos eles, mesmo naqueles de cujas ideias não comungamos!
    Porém, todos os jornalistas passaram a escrever autênticos artigos de opinião camuflados de artigo de informação, e, os leitores, influenciáveis, assumem como facto ou acontecimento aquilo que é a visão do jornalista!
    O pior é que nos telejornais isso passou também a ser tónica… actualmente para se ser informado do que realmente sucedeu, há que ler e cruzar informação variada e mesmo assim…
    O que é feito do verdadeiro jornalismo de informação? Onde existe ou quem o faz hoje?
    Creio que em lado nenhum e ninguém. Além de que me palpita que as redações orientem num determinado sentido!

    Lamento mas já não compro nem leio jornais, excepto o Correio do Ribatejo, por razões sentimentais de manter uma assinatura que já vem do meu avô. Nem penso voltar a comprar tão cedo, não enquanto as coisas assim se mantiverem!

    Saudações livres cá da Cidade Morena!
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