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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Fev15

Derrocada

Maria do Rosário Pedreira

A história tem anos, mas, pelo que sei, apesar das chamadas de atenção desde 2007, quase nada foi feito. Nesse ano, um artigo do Jornal de Notícias alertava para a derrocada iminente da casa onde António Nobre terminara os seus dias, na Avenida do Brasil, à Foz, no Porto, e da qual não se sabia quem retirara recentemente a placa que aludida a que ali residira e morrera o grande poeta do Porto. Na altura, foram enviados pedidos de recuperação do imóvel, bem como a sugestão da sua transformação numa casa que pudesse albergar o espólio do autor de Só, armazenado pela Câmara e indisponível. Era então presidente do município Rui Rio e ministra da Cultura Isabel Pires de Lima. Porém, apesar da insistência, o problema persiste, a casa degrada-se cada vez mais e, embora o espólio (manuscritos, livros, objectos e peças de vestuário) tenha sido transferido para a biblioteca pública municipal, a ruína do edifício e a sua não classificação poderão apagar o rasto de um dos mais importantes nomes literários do Porto. Corre, pois, uma petição para evitar a calamidade, sendo um dos seus signatários o escritor Mário Cláudio. Creio que é de todo o interesse assiná-la e, por isso, aqui deixo o link para todos os interessados.

 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT75775

4 comentários

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    Beatriz Santos 03.02.2015

    Discordo. A história também se conta através dos lugares que habitaram; ali os respeitamos.

    António Nobre não é poeta extraordinário - na minha opinião, claro - mas é uma voz que perdura e tem tonalidade própria; por mérito, faz parte da história da poesia portuguesa, mesmo não sendo marco fundamental.

    Foi-me apresentado numa selecta, um fragmento de "Só" que li desvairada no dia em que ela debutou na minha mesa. Aos doze, treze anos o que queria da poesia era entendê-la; e António Nobre aparecia-me em versos cristalinos e melancólicos, falava-me de coisas e pessoas que me eram familiares. Rimando. Achei o máximo. Além do mais era bonitinho, olhava triste e morreu tuberculoso. Tudo nele me chamava. Portanto.

    Mas ler. Dizer a poesia é que é. Porque vivê-la é muito mais difícil:)

    Não sei quem ou o que se pode preparar fora da história, como é que se forma a mente sem ela (ou quase).

  • Sem imagem de perfil

    José Catarino 03.02.2015

    Beatriz, agora que a idade é outra, sugiro que pegue no Só, esqueça lugares-comuns, e leia, por exemplo, os poemas "António", "Os sinos", ou "Viagens na minha terra".
    E continuo na minha,mais importante do que preservar uma das casas por onde o poeta passou - e onde talvez tenha sido muito infeliz - o que importa é trazer à vida os seus poemas.
    JCC
  • Sem imagem de perfil

    Beatriz Santos 03.02.2015

    Peço desculpa, mas não disse que não reli António Nobre:)

    O que quis dizer foi que António Nobre me parece muito bem para quem desperta para as letras.

    Então se os versos são mais importantes - e são; mas esses vão ficar -, deixe-nos preservar a casa. Não importa se foi feliz ou infeliz. Foi ali que foi. Isso, é o importante.

    Há um lado quotidiano das pessoas que se distinguiram e admiramos, que urge preservar. É memória viva, sinal de tempo gravado e aberto a todos. No meu entender é de preservar. Sou devota neste santuário. Acendo velas e fico a olhar-lhes a chama até arderem completíssimas.
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