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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Dez15

Desistir ou perder

Maria do Rosário Pedreira

Há muitos anos, quando era a editora de José Luís Peixoto, um dos seus livros foi vendido a uma editora brasileira muito especial: a Cosac & Naify; faziam livros requintados, com materiais especiais e bom gosto, além de escolherem bem os títulos – nada de baixa extracção. Os seus donos, ao que parece, tinham dinheiro e talvez por isso não se importassem muito de não o ganhar com as suas edições de qualidade; mas chega um ponto em que perder dinheiro com a actividade também se torna impossível – e, ao contrário de outras editoras independentes que acabaram por ser vendidas a grandes grupos, a Cosac & Naify declarou preferir fechar portas a ter de fazer livros menores que dêem lucro. Disse numa entrevista o senhor Cosac que «uma editora deve existir exclusivamente para alimentar um projecto cultural» e que, quando viu o seu projecto ameaçado, achou que chegara o momento de encerrar, podendo, desse modo, «perpetuar um sonho belíssimo do qual tantos participaram e que ajudaram a construir». Pois é. Como dizia um outro editor a respeito do assunto, «o sonho continua, o que acabou foi a realidade». Uma maneira de desistir sem perder.

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 18.12.2015

    " E se não houvesse desistências a existência era mais monótona e menos aliciante."

    Concordo em que desistir não é sinónimo de perder e menos de fraqueza, pode até ser sinónimo de força e é muitas vezes sinónimo de sabedoria.

    SE desistir de uma coisa for para alcançar outra, ou como se diz, dar um passo atrás para saltar mais longe, de acordo, mas todavia não me parece que desistir seja em si algo que torne a existência mais aliciante ou menos monótona. Pelo contrário, pois conheço pessoas que são desistentes puros e sistemáticos, tão enfadonhos quanto os vencedores natos, pois nem uns entendem o sucesso e nem outros o desaire o que os torna incompletos.

    Uma vez, na minha função de juiz internacional, desclassifiquei de uma prova do Campeonato do Mundo, um jovem atleta Sul-africano de quem me diziam nunca ter perdido uma competição e ser um grande campeão. Respondi na altura que vencer era fácil, era ganhar sempre... mas isso não faz um campeão, o que faz um campeão é exactamente ganhar, perder e voltar a ganhar! E dava o exemplo do nosso André Domingues presente naquela competição, desclassificado porque acusou cannabis na análise à urina, teve de devolver a medalha de prata de Campeão Euro-africano e foi afastado das competições por 2 anos. Ao fim de desses dois anos voltou mais forte do que nunca... esse é um campeão e para mim um exemplo.

    Não tenho o culto do vencer, mas sim o de ir à luta, pelo que volto a dizer que sou pouco de desistir, a não ser que seja por maiores razões, e, se não faço disso um drama também não faço um objectivo... Noto que hoje desiste-se muito! É o que constato.

    Há dias jantando com um amigo de Benguela, dizia-me ele que em Angola não há culpas, há desculpas ... e eu perguntaria a esta Extraordinária assembleia se se será apenas em Angola?

    Saudações responsáveis cá da Cidade Morena.
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