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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Fev15

Diário-documento

Maria do Rosário Pedreira

Há muitos anos, tive oportunidade de ouvir excertos de um diário de Eduardo Lourenço durante as Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, numa sessão em que o filósofo era a personalidade que abria as hostilidades e estava a ser apresentado por José Carlos de Vasconcelos. E que beleza, eram realmente pequenos poemas as suas magníficas frases sobre o tempo em que vivia. Pensei cá para mim que adoraria ler esses pequenos apontamentos diarísticos, mas eles não estavam publicados. Porém, acabo de ler que a Biblioteca Nacional adquiriu o espólio de Eduardo Lourenço e o vai integrar no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea. São óptimas notícias, claro, não só para esta curiosa, que quer reler o que uma vez ouviu ao vivo – essa espécie de «diário cultural», como o filósofo lhe chama –, mas para todos, pois Eduardo Lourenço tem literalmente milhares de documentos desde os anos 1940, entre os quais correspondência trocada com escritores como Vergílio Ferreira ou Sophia de Mello Breyner Andresen e muitos textos inéditos, alguns dos quais sobre arte e música. Como referiu o Secretário de Estado da Cultura na sessão que assinalou a compra do espólio, «trata-se de um bem cultural fundamental para a investigação filosófica, literária, histórica e sociológica não só da obra de Eduardo Lourenço, mas do pensamento português dos séculos XX e XXI». A obra completa do autor será também publicada pela Fundação Gulbenkian. Boas notícias.

3 comentários

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    Miguel Rosa 11.02.2015

    Apesar de apreciar esta compra, pois acho que terá um valor inestimável para estudiosos vindouros , eis um artigo que explora a questão de um ângulo mais pragmático:

    http:/ malomil.blogspot.pt /2015/02 o-espolio-de-lourenco.html
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    Ricardo 12.02.2015

    Justamente, Miguel. Eu aproveitava e recomendava outro testo do mesmo blogue:

    http://malomil.blogspot.pt/2015/02/ignorancia-atrevida.html

    Depois da conversa na caixa de comentários anteriores, isto vem mesmo a calhar. Como é que uma pessoa tão profundamente estúpida como o Peixoto poderia alguma vez escrever alguma coisa interessante? E como é que alguém pode admirar um escritor tão profundamente estúpido?
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