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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Jun20

E por falar em racismo

Maria do Rosário Pedreira

Soube recentemente uma história muito curiosa através de um post publicado no Facebook pela tradutora Maria do Carmo Figueira. Certamente se lembram dos Peanuts, um cartoon ultra-inteligente de Charles Schulz, protagonizado por Charlie Brown e os seus amiguinhos e colegas (além do Snoopy, claro). Na tira deste comic, altamente popular por ser publicada diariamente nos jornais, apareceu em 1968 uma nova personagem que pôs os Estados Unidos em polvorosa. Chamava-se Franklin Amstrong e era a primeira personagem negra dos Peanuts (e provavelmente da maioria dos cartoons norte-americanos). Mas de quem foi a ideia? Não de Schulz, mas de uma professora que lhe escreveu uma carta na sequência do assassinato de Martin Luther King. Consciente da influência dos Peanuts nos jovens norte-americanos e tendo trabalhado muito com crianças, dizia que raramente se encontravam BD, livros ilustrados e cartoons em que estivessem representadas juntas crianças negras e brancas numa sala de aula; e que, se Schulz estivesse aberto a introduzir uma criança negra nos seus Peanuts, ajudaria decerto a que os mais novos percebessem que os negros não eram os excluídos da sociedade e a que, assim, a situação se alterasse para evitar mortes como a de Luther King. Schulz confessou-lhe o receio de poder parecer apenas condescente, mas a professora e o cartoonista trocaram uma longa correspondência, até que finalmente apareceu na tira de um jornal Franklin Armstrong, um rapaz negro americano cujo pai estava... na guerra do Vietname a defender o seu país (esta foi um golpe de génio). Muitos negros, ao que se diz, choraram de comoção nesse dia 31 de Julho de 1968. E a professora, estou certa, terá chorado de alegria. Uma bela história que começou assim:

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Para hoje recomendo Os Pretos de Pousaflores, de Aida Gomes, um livro sobre os três filhos mulatos de um português «retornado» à aldeia pequena (e racista) em que nascera, em 1975. E, porque ontem me esqueci completamente de recomendar uma leitura (como a Bibi referiu), do que peço desculpa, proponho hoje que leiam álbuns da Mafalda, de Quino, ou de Calvin & Hobbes, de Bill Watterson.

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