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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Jun14

Equipas

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui falei recentemente de uma Taça da Literatura organizada por uma universidade, que decorre ao mesmo tempo que se realizam os jogos do Mundial de Futebol. Pois, pelos vistos, houve mais quem se lembrasse deste tipo de paralelismo, entre desporto e literatura. O Grupo Penguin, talvez o maior aglomerado editorial do mundo e seguramente um dos mais ricos, decidiu criar a Penguin Cup, apresentando aos leitores do seu site os «onze» das equipas concorrentes; não de todas as que entram na Copa do Mundo, bem entendido, pois provavelmente não haverá escritores conhecidos suficientes em algumas delas; em todo o caso, de dezasseis nações, que incluem – para não falar dos países de língua inglesa – o Brasil, a Argentina, a França, a Alemanha, o Japão ou Portugal. Não tenho ideia de quem escolheu o nosso onze, mas o que se diz é que ele podia ser inteiramente constituído por Pessoa & heterónimos, só que isso constituiria uma equipa demasiado desassossegada; em vez disso, puseram o dito Fernando como avançado central, enquanto a baliza foi preenchida por Lobo Antunes. À defesa, estão dois mortos, Aquilino e Antero, ladeados por dois vivos, Lídia Jorge e Miguel de Sousa Tavares (o único dos quatro que deve gostar de bola). Num meio-campo mais poético, jogam Camões, Garrett e Mário Cláudio (agradeço a escolha do último, como sua editora). E, de cada lado de Pessoa, Camilo e Saramago candidatam-se a goleadores. E explica-se: «A literatura portuguesa é talvez menos conhecida no estrangeiro, sobretudo nos países anglófonos, do que a dos seus vizinhos europeus, mas tem uma tradição fantástica e produziu obras notáveis e seminais.» Pode ser que ganhemos leitores, já que no futebol deixamos muito a desejar.

 

6 comentários

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    António Luiz Pacheco 30.06.2014

    Boa pergunta... e pertinente (ou impertinente?) ó Extra-Amalivros!

    Escritores alemães... quem me actualiza uma lista?
    Talvez a Extraordinária Cristina Torrão, pois no que diz respeito aos teutónicos ando um bocado distraído... ou não tem havido assim nenhum a fazer notar?


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    Cristina Torrão 30.06.2014

    Confesso que ando pouco atenta, caro António Luiz Pacheco, embrenhada na nossa própria literatura. Enfim, vivos, de repente, só me lembro do Günther Grass (nobelizado, mas que nunca li), Daniel Kehlmann (de que li uma obra e de que gostei) e Herta Müller (nobelizada também). Mas como também se podem selecionar mortos, refiro os meus preferidos: o excelente Thomas Mann (também nobelizado), Heinrich Heine (irónico, qualidade rara nos alemães) e o incontornável Goethe (um génio da literatura, que aliás não gostava de Heine, precisamente por causa da ironia). Gosto igualmente muito de Kafka, mas era checo, apesar de ter escrito em alemão.
    Enfim, peço desculpa por não estar mais atualizada, mas ando mesmo de fora do assunto.
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    António Luiz Pacheco 30.06.2014

    Era o que eu imaginava... tudo gente morta!!!!
    Até os irmão Grimm... parece que não há mais autores de vulto, além de Herta Muller e de Erich Maria Remarque, também já falecidos! Portanto a N e a L nada de novo... eheheh!

    Já agora uma nota curiosa para si: Gunther Grass, escreveu "O linguado" e "O Tambor" (creio que é considerada a sua obra-prima)! Aconselho-lhe a leitura d' "O linguado", vivamente! Vai gostar... é um livro irónico sobre as relações homem-mulher desde o neolítico... onde ele analisa e desmonta o relacionamento e a pretensa superioridade masculina (as mulheres é que mandam, e desde sempre!) ... eheheh! E não esquecer que foi prémio Nobel também! Para ferro do Saramago... que era um génio da literatura mas com um feitio que livre-nos Deus...

    Saudações da cidade morena!!!
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    ASeverino 30.06.2014

    Mas ó Pacheco olha que já ouvi dizer (já li, aliás) que o Saramago não tinha assim tão mau feitio, talvez não fosse politicamente correcto e parece que homem possuidor de uma incrível honestidade intelectual e isso paga-se caro...e talvez esse seu mau feitio pudesse ter a ver com alguma rigidez, quiçá alguma intolerância, no aspecto político (aqui admito), mas mau feitio propriamente parece que nem o tinha.
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    António Luiz Pacheco 30.06.2014

    Severino... o Saramago foi deselegante ao dizer de Grassman (Nobel depois dele), que não separava o homem da obra... bem se todos fossemos assim, tás a ver... eu como não sou comunista ia dizer o quê dele mesmo, que considerava Cuba um exemplo de democracia, esquecendo e desrespeitando os muitos presos por ideologia... e os dos Gulag... etc. Nem vale a pena... mas como sou apenas uma mísera traça reconheço e aprecio a genialidade dos autores, independentemente das idéias políticas.
    Coisas de traça, atraída pela luz ...

    Um abraço da cidade morena!
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