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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

21
Abr14

Erros criativos

Maria do Rosário Pedreira

O jornalista João Miguel Tavares, cronista do Público e director-adjunto da revista Time Out, membro do Governo Sombra da TSF (e agora também da TVI 24), é pai de quatro filhos e autor de um blogue intitulado precisamente Pais de Quatro, no qual escreve sobre as alegrias, surpresas e dissabores (quase nenhuns) da paternidade. Foi justamente nesse blogue que encontrei um post engraçadíssimo sobre respostas erradas (mas altamente criativas e dignas de aplauso) que crianças norte-americanas deram em testes escolares. Algumas são notáveis do ponto de vista da lógica, como no caso em que a professora pediu aos alunos que fizessem um desenho de si próprios daqui a muitos anos, e um rapaz teve a ousada ideia de se desenhar no túmulo... Mas há outras fantásticas, como a de um teste de Ciências em que se diz que uma rapariga espreita pelo microscópio, mas não vê nada, perguntando-se de seguida aos alunos qual será o problema. Um deles, bastante expedito, responde que certamente a miúda é cega – e a professora não se deixa impressionar e anota à margem: «Boa tentativa!» A esperteza saloia chega, de resto, ao auge quando se pergunta o que é preciso fazer para converter centímetros em metros e um dos inquiridos responde simplesmente: «tirar o centí.» A melhor de todas está, no entanto, no teste em que se pede uma composição, sugerindo aos alunos que assumam o papel de um imigrante chinês em 1870 e escrevam uma carta a contar a sua experiência. O resultado aí vai. Genial!

 

5 comentários

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    Miguel Rosa 21.04.2014

    Ou se calhar os miúdos têm uma natural tendência surrealista para provocar disrupções lógicas. O que eu vejo dessas respostas são miúdos inteligentes a aproveitarem-se de lacunas nas perguntas para explorarem ambiguidades de sentido. Se isto fosse um sketch dos Monty Python, chamávamos a eles de génios por estarem a explorar a maneira como a linguagem pode ser usada para não comunicar. Aqui, os miúdos sofrem de asperger.
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    Beatriz Santos 21.04.2014

    pois é Miguel:) na vida chamamos de asperger. Mas se privar com uma dessas crianças, ou adulto, deixa de encontrar piada. Os Monthy são engraçados e inteligentes porque só os vemos e ouvimos, e não lhes sofremos, em constância, as disrupções lógicas. Mas é verdade que há muita gente inteligente no grupo.

    Note que chegamos a rir de nós mesmos quando recordamos factos que, na altura nos causaram sérios embaraços ou foram desagradáveis. A memória tem a vantagem de isolar o interessante de situações e pessoas. A expensas, claro, do sujeito que rememora. Na memória de cada homem, a importância do inconsciente individual é fascinante.
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    Miguel Rosa 21.04.2014

    Resta saber se as crianças em questão realmente padecem de asperger. As crianças na escola sofrem muita monotonia; subverter as palavras de professores e directivas de exercícios, são justamente o tipo de coisas que crianças entediadas gostam de fazer para trazer leviandade à solenidade da sala de aulas. Seria terrível estar a diagnosticá-las com asperger apenas porque são crianças.
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    Beatriz Santos 21.04.2014

    Talvez tenha razão, Miguel. Não sou entendida na doença. Mas, segundo creio, provoca mesmo grandes problemas de aprendizagem e não é um distúrbio apenas escolar - embora se reflicta na aprendizagem e isso preocupe os pais.
    Não julgo que a escola seja entediante, mas talvez esteja fora do que é hoje o ensino. Em meu tempo, achei-a uma coisa do outro mundo, porque era mesmo um mundo outro e muito aliciante - a minha professora batia de ponta a ponta, se lhe dava na veneta duas vezes por dia; rezava connosco um nunca acabar de vezes, eram terços atrás de terços; nunca ensinou história ou geografia, ou ciências; ausentava-se da escola bastas vezes...e gostávamos da escola). Acredito que haja crianças a pensarem parecido. O ensino hoje parece-me até de maior proximidade.

    E tenho esperança que não se medique uma criança apenas porque não corresponde às expectativas comportamentais. Há garotos a quem os adultos - por tanto que dão ou tiram - fazem difíceis. Outros que são difíceis de sua natureza. E alguns - espero que poucos - que são doentes. Os últimos, precisam tratamento.
    E não sei mais.
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