Escritores na cadeia
Não, não vou falar de escritores que, em determinada altura das suas vidas, foram presos (o caso, por exemplo, de Oscar Wilde ou Jean Genet). Falo, sim, de reclusos que se tornam escritores atrás das grades, ocupando-se com uma tarefa que, segundo os especialistas, lhes retira agressividade e ódio e que, por vezes, até os faz ganhar prémios literários. Mas, como não há escrita de jeito sem leitura, é melhor começar por dizer que no Estabelecimento Prisional de Lisboa, cada ala (e são oito) tem a sua biblioteca, e quem as dirige é sempre um dos presos dessa ala. O artigo que fala disto é assinado pela jornalista Isabel Nery e saiu ontem no Público, contando os vários projectos ligados às artes que têm vindo a surgir nos estabeecimentos prisionais para pôr a comunidade que se encontra cativa em contacto com a cultura, sendo um deles o Concurso de Escrita Criativa Interprisões, que foi lançado com o apoio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e para o qual existe uma média anual de 100 candidatos; são, geralmente, reclusos que gostam de fugir para dentro dos livros (um deles diz ler um livro por dia) e que depois se dedicam à escrita como actividade terapêutica, já que na escrita podem ser completamente livres, além de que o desenvolvimento das competências da leitura e da escrita os ajuda a reinserir-se na sociedade mais facilmente quando saírem da cadeia. Mas o artigo é grande e vale a pena percorrê-lo, pelo que tem de interessante e também comovente. Uma boa semana é o que vos desejo.

