Estrelas caídas
Amanhã sai para o mercado o novo romance de Isabel Rio Novo, A Matéria das Estrelas, que tem que se lhe diga, até porque repesca uma personagem de um outro romance, mas não dela, que também publiquei: A Boneca Despida, de Paulo M. Morais. Fala, pois, do guarda-marinha Jacinto da Silva Fernandes, que não comparece à chamada do navio-patrulha Flamínio, pronto a largar do porto de Ponta Delgada, sendo mais tarde encontrado pelos colegas deitado por terra, inanimado, na casa que arrendava. O trágico e misterioso incidente suspende o percurso de um jovem cujas qualidades e aspirações pareciam talhá-lo para a carreira dos mares, marcando o início de uma investigação conduzida por Eduardo, médico e familiar dos Silva Fernandes, que traçará a história de Jacinto, desde a sua infância até à sua sobrevivência como deficiente, passando pelos dias anteriores ao incidente. Revolvendo os indícios deixados pelo jovem (fotografias, cartas, livros, amigos) na ânsia de encontrar respostas, Eduardo confrontar-se-á com segredos abafados e revelações dolorosas. E compreenderá que, mais do que a procura da verdade sobre Jacinto, está no fundo a conduzir uma pesquisa existencial. «Obra de um notável fôlego narrativo», servida por «uma linguagem apuradíssima», segundo o júri que o agraciou com o Prémio Literário Cidade de Almada em 2024, o romance A Matéria das Estrelas traz o registo inconfundível de uma das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea.


