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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Jun18

Gente séria

Maria do Rosário Pedreira

Olá, gente séria, olá, gente que gosta de livros. Espero que ainda aí estejam, pois os leitores estão a diminuir em grande parte do mundo (contou-me uma agente literária que a Alemanha perdeu seis milhões de leitores nos últimos quatro anos) e pode ser que, nas minhas férias, alguns dos Extraordinários tenham decidido virar-se para outra coisa... Eu ainda não, e foi justamente nas férias que li um romance que tinha aqui atrasado e à espera de vez desde Fevereiro. Intitula-se Gente Séria, foi publicado pela Planeta e assina-o Hugo Mezena, um jovem escritor nascido nos anos 1980 que também se tem dedicado ao teatro e à música. Situando a sua narrativa numa terra chamada Benomilde (em que, apesar de bem entrada a democracia, ainda é o padre e a religião quem dão cartas e os pecados ensombram as consciências), o autor coloca como narrador um rapazinho temente a Deus, filho único de um casal que decidiu ficar na aldeia a trabalhar para o senhor Rodrigues, cumprindo a tradição do antecessor. É, de resto, esse avô, empregado que sobe na vida a pulso e não quer dever nada a ninguém (nem que lhe devam, claro!), uma das maravilhosas personagens deste microcosmos, a que não falham figuras memoráveis do nosso Portugal pequenino, mas atrevido, grosseiro e até, como na cena que fecha o romance, inesperadamente violento. Destaque ainda para as histórias do tio Alexandre, que desde cedo luta para sair da cepa torta, e das suas mulheres, entre elas a perturbadora tia Mena, que ficou a mancar desde que foi colhida por um comboio e que move os lábios à mesa, mas não reza, intrigando o sobrinho. Feito de pequenos episódios, Gente Séria é um romance muito bonito, que retrata um lugar e as suas pessoas sem paninhos quentes, mostrando como a modernização leva por vezes muito tempo a ser alcançada. Recomendo.

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