Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Fev18

Histórias que fazem bem

Maria do Rosário Pedreira

Descubro no meio do lixo todo que leio todos os dias (somos invadidos por ele e às vezes nem o podemos deter, porque aparece em cima do que estamos a consultar e obriga-nos a esperar x minutos para nos livrarmos dele) uma notícia muito bonita – ainda que, curiosamente, tenha também que ver com... lixo. É verdade: em Ancara, na Turquia, abriu em Setembro uma biblioteca pública formada quase exclusivamente por livros abandonados e deitados fora, que foram sendo recolhidos por homens do lixo. A ideia inicial era serem trocados entre eles e as respectivas famílias, o que aconteceu durante os primeiros meses, mas o número de livros foi crescendo e, a certa altura, já eram os habitantes da cidade que lhes vinham entregar livros e revistas que já não queriam. O projecto atingiu, assim, tais proporções que teve de dar origem a uma biblioteca física, e a autarquia apoiou a sua instalação numa fábrica de tijolos igualmente abandonada. A nova biblioteca já tem cerca de 6000 títulos! Haja esperança. Bom fim-de-semana. A ler, claro.

 

naom_5a6488d218d10.jpg

 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Artur Aguas 02.02.2018 10:38

    A propósito de "a ler, claro", confesso o prazer que tive esta semana ao ler os retratos curtos de escritores (e de dois artistas plásticos) que Mário Cláudio conheceu (todos portugueses, todos já falecidos). Em três ou quatro páginas, às vezes até em menos, Mário Cláudio faz de cada autor um personagem fascinante, lembra-nos os seus sucessos e os seus injustos esquecimentos, os mal entendidos e as invejas pátrias, ironiza sobre algumas fraquezas dos seus congéneres e fraquezas suas também, fala de si ao escrever sobre os outros. Logo o primeiro retrato, de Ferreira de Castro, é uma verdadeira pérola. O livro chama-se "A Alma Vagueante" (que bela definição de um criador) e reúne crónicas já publicadas no DN, mas que eu desconhecia. Está escrito com benevolência e humanidade e, claro, com a qualidade literária do autor; sente-se que Mário Cláudio se divertiu, deve ter-se mesmo rido, ao escrever estas suas memórias e nós também nos rimos ao lê-las, ao reconhecer traços pessoais dos nossos ídolos literários. É um livro que nos faz ter vontade de ler ou reler estes grandes escritores que foram nossos contemporâneos. Acresce que o prefácio de José Carlos Vasconcelos é também uma bela peça literária. Ele certeiramente anota que o estilo de Mário Cláudio nestas crónicas biográficas é mais ágil do que o que se frui nos seus romances, mais dados a uma linguagem sofisticada e barroca, requisitando o leitor para uma leitura mais exigente e lenta.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 02.02.2018 14:14

    E este é um comentário, caro Artur, que me faz ter vontade de ir a correr comprar este livro do Mário Cláudio.
    Muito obrigada pela sugestão. :)
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.