Homenagem
A Universidade do Porto homenageou recentemente o editor José da Cruz Santos que, se não me engano, foi quem «iniciou» o Manel (Alberto Valente) no mundo dos livros na O Oiro do Dia e que ainda tem a sua livraria/editora Modos de Ler ali ao pé da Leitaria do Paço, na Invicta. Quando entrei na edição, em 1987, havia vários editores como Cruz Santos (o querido Rogério de Moura da Livros Horizonte, por exemplo, ou o Fernando Guedes da Verbo) que faziam projectos de raiz, inventavam colecções, conheciam todos os autores, tinham ideias interessantes. Cruz Santos, além disso, ainda tratava da embalagem (vulgo capa), geralmente bonita. Desde que a edição se industrializou, desapareceram gradualamente os editores deste tipo. Os objectivos são hoje muito diferentes (as vendas, as vendas...), os leitores também (a democratização do ensino criou leitores diferentes) e, sobretudo, as livrarias são uma espécie de mundos que, com poucas excepções, vendem sempre a mesma coisa e pouco espaço têm para livros de nicho. Saudemos então o sobrevivente Cuz Santos, que se mantém fiel aos seus hábitos e à sua independência, e prestemos-lhe justa homenagem. Ele diz que os livros foram a única paixão a que foi fiel a vida inteira, e nós acreditamos.

