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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Abr21

Humanizar

Maria do Rosário Pedreira

Já tive más experiências com médicos, que eram talvez bons patologistas mas ficavam a dever bastante como gente; e conheço quem tenha tido ainda piores experiências, pois nesses casos as doenças eram bastante mais graves e a comunicação do médico fez-se abruptamente, sem compaixão nem delicadeza. Um amigo médico queixava-se há tempos de falta de humanismo nos seus colegas de profissão e de uma crescente desumanidade em muitos serviços públicos de saúde, não só por falta de condições, mas também por falta de formação humana dos próprios médicos. Porém, pouco depois de a reitora da Universidade Católica escrever um artigo bem interessante sobre a decadência das Humanidades no jornal Público, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, anuncia que vai ser leccionada uma cadeira de poesia num mestrado de Medicina para despertar nos médicos o lado humanista que devem ter. Parabéns à escola e parabéns ao professor, o cirurgião e poeta João Luís Barreto Guimarães que, numa entrevista, diz que não tem receitas (essas são para os doentes), mas vai falar aos mestrandos essencialmente da vida, a mesma que tantas vezes se espelha nos seus poemas, premiados e traduzidos em muitos países. Vão ser 30 os alunos sortudos que vão poder ler poesia entre bisturis, batas brancas e, claro, sangue. Faz parte da vida e da poesia. Vamos ver se daqui sairão melhores pessoas e, logo, melhores médicos.

4 comentários

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    Maria 06.04.2021

    Objetivar a poesia parece-me algo pouco (po) ético. Os poemas não são fármacos, nem curas. A poesia como lugar, ou dimensão, porém, apela ao espírito e à sensibilidade, ambos necessários na prática médica (a meu ver).
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    Cristina Torrão 07.04.2021

    Maria, não me entenda mal. A cultura pode elevar de facto o espírito de uma pessoa (pode, não é garante), mas trata-se, normalmente, de um processo longo. Não me parece que uma cadeira de poesia, durante um ano letivo, possa cumprir essa função. Decerto levará um ou outro estudante a interessar-se por poesia, ou literatura, o que poderá ter repercussão na sua vida e isso já era ótimo. Por isso, talvez uma cadeira dessas fizesse sentido até em qualquer curso. Como ferramenta de comunicação com pessoas fragilizadas não me parece, porém, solução. Por isso, eu defender mais as técnicas de comunicação desenvolvidas pela psicologia moderna. Aliás, os psicólogos atuais costumam rolar os olhos perante a falta de jeito dos médicos para comunicarem com os seus pacientes. Claro, há gente que sabe fazer isso, por intuição. Mas é uma minoria.
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    Maria 07.04.2021

    Muito obrigada pelo esclarecimento! De facto, deve-se priorizar o ensino das capacidades de comunicação, desde cedo e com metodologias práticas, tal como diz. Eu sou suspeita (porque confiro à poesia um lugar muito especial), mas longe de mim considerar pouco ou menos importante o ensino da psicologia e das suas derivadas. Pelo contrário! De qualquer das maneiras, neste caso a cadeira é opcional, por isso vale o que vale...
    Saudações!
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