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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

24
Jun20

Humildade ou vaidade

Maria do Rosário Pedreira

No livro de João Tordo que referi recentemente neste blogue, Manual de Sobrevivência de Um Escritor, numa espécie de conselho àqueles que querem tornar-se escritores e submeter o seu primeiro manuscrito a um editor, o autor recomenda que sejam humildes e saibam ouvir. Mas também conheço muitos jovens escritores que entendem humildade como subserviência e preferem não publicar o seu livro a ouvir uma crítica ou ter de mexer uma linha no seu manuscrito. A humildade tem que se lhe diga... Li recentemente que os famosíssimos irmãos Goncourt (sim, aqueles que deram nome ao célebre prémio literário francês e são referidos sempre que alguém fala dos intelectuais da sua época), escritores e homens ricos e cultos que conheciam absolutamente todos os confrades e artistas seus coetâneos, têm na sua sepultura em Montmartre apenas os respectivos nomes e as datas de nascimento e morte, mais nada. Porém, se a maioria das pessoas sempre interpretou tal facto como prova da sua humildade, a verdade é que o comentário de Jules Renard no seu diário sobre esta situação faz cair na decisão uma nódoa de ambiguidade. Humildade?, duvida Renard. Qual quê! Pelo contrário, eles acharam que eram de tal forma conhecidos que bastavam os seus nomes para toda a gente saber quem ali repousava...

Nunca li nada de Renard (a não ser pequenas citações em livros de outros autores), mas ando mesmo com vontade de o fazer (até porque essas citações aparecem em obras de escritores muito distintos e de idades diferentes). Não posso, por isso, recomendá-lo para já, mas conto fazê-lo em breve. Li em jovem, para uma cadeira de Francês, parte de uma biografia de Maria Antonieta feita pelos irmãos Goncourt, mas não sei se está cá traduzida. Escolho então um romance que recebeu o Prémio Goncourt já neste milénio e que fala do mundo dos artistas e críticos com verrina que baste (como a de Jules Renard): O Mapa e o Território, de Michel Houellebecq.

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