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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Jun17

Ignorância

Maria do Rosário Pedreira

Contaram-me que muitos americanos nunca viram um peixe senão em filetes, no prato, e que ficam estarrecidos quando lhes servimos aqui em Portugal um corpo escamoso, com uma espinha a meio, além de rabo e cabeça, ficando sem saber o que fazer com ele (mas depois gostam, claro). Também me disseram que, nos EUA, quando pedem a algumas crianças para desenharem uma galinha, elas a desenham depenada e embalada, tal como a encontram no supermercado. O Washington Post noticiou, porém, recentemente algo de bradar aos céus que até parece brincadeira... ou mentira. Publicando os resultados de um estudo realizado por um Centro de Inovação Americano, declara que 16 milhões de adultos norte-americanos (cerca de 7% da população) acham que o leite achocolatado que se vende nos supermercados provém de vacas castanhas, desconhecendo, aliás, que o chocolate é feito de cacau, leite, açúcar... Enfim, torna-se para mim cada vez mais claro como é que Trump chegou a presidente... Bom fim-de-semana!

4 comentários

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    miguel bondurant 30.06.2017

    Meu caro, gostei da sua resposta, pela organização apresentada e pela aparente coerência. Gostei, mas não quer dizer que concorde. Aliás, a alegada culpa de ignorância não pode ser imputada às crianças, mas sim aos seus pais. No entanto, sendo eu da chamada classe média remediada deste país, digo-lhe sem problema que qualquer magarefe de Beja sabe que as vacas castanhas dão leite e não leite com chocolate, quanto aos de Chicago não sei.
    Dizer-lhe que pena tenho eu de não ter estudado numa das boas universidades dos EUA, como o senhor, mas lá está nada como uma élite para falar de magarefe.
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    Anónimo 30.06.2017

    Viva meu caro!
    É ser apreciado, mesmo que e sobretudo quando não concordam, o que é um sinal Extraordinário!

    Concordo inteiramente com a observação quanto à responsabilidade dos pais, sobretudo dos pais urbanos pois hoje e como nunca, existe uma clivagem entre o campo e a cidade... o tecido urbano ganha terreno!
    O meu filho fez rir as educadoras depois destas dizerem: Olha um camião! Ele prontamente corrigindo: Não! É uma "betoneia"!

    A sua observação final revela fino sentido de observação e ironia, portanto inteligência! É gratificante falar com alguém inteligente, até discutir, pois nos obriga a dar o nosso melhor!
    Portanto, impõe-se esclarecimento da minha parte, devo-lhe essa explicação porque a sua observação é acertada se bem que injusta como vai entender:
    - Tenho quase 62 anos, nasci e criei-me no campo, numa quinta agrícola, num outro tempo, ainda do candeeiro a petróleo à luz do qual estudei para os exames do 7º ano do liceu. Meu pai era oficial do exército e acreditava que para se mandar tinha de saber fazer também! Por isso e desde muito novo trabalhei ao lado dos barrões, suei com eles, ri com as suas conversas e ganhei ainda rijeza no corpo. Depois já com 30, fiz carreira na distribuição alimentar, mas quando entrei para o Grupo JM e porque tinha carta de pesados (estranho num zootécnico comum) andei meses com uma camioneta a fazer entregas de fruta nas lojas, foi o meu estágio! No Grupo JM toda a gente começava por baixo, ao Sr. Pedro Santos filho do "patrão" e hoje o Presidente do Conselho de Administração, conheci-o como recepcionista numa loja... passei anos, noite e madrugadas fora, nos mercados do Rego e Cais do Sodré, no Chaves de Oliveira, comprando directamente horta e frutas à saloiada com quem ia à caça, como o fazia com a minha gente lá no bairro! Chefiei as compras durante 10 anos, e nessa qualidade tratava directamente com os cortadores nos nossos talhos, como ia aos matadouros ver a carne que se comprava, falava directamente com quem a desmanchava ou quem a engordava, em Portugal, Espanha, França, Dinamarca, e, EUA. Mais tarde operei na Docapesca e mantive operações na Mauritânia, Marrocos e Moçambique, também ali andava de noite ou dia a tratar directamente o que se embalava, comprava e vendia.
    A despeito de ter andado na universidade sempre soube falar com toda a gente, imagine que já depois dos 55 me vi em Angola, no mato profundo integrando um projecto agrícola e depois ao longo de todo um ano a fazer o levantamento de 2700 apicultores perdidos em 4 províncias (Moxico, Bié, Huambo e Cuando Cubango), como agora ando pelas pescarias e fazendas de Benguela, Namibe e Quanza Sul ou Norte, falando como posso com pastores e pescadores, sejam mucuandos ou mucuíços que muitas vezes nem português falam.
    Felizmente sei falar com todos, o que me permite continuar a minha carreira como consultor de projectos agrícolas, pecuários e agroalimentares, exactamente porque sei ver e ouvir. Os camponeses são a minha gente, independentemente da côr da pele são todos iguais! E eles logo percebem que sou um deles, acredite!
    Portanto sei que um magarefe Afro-mericano, latino-americano, anglo-saxónico, bordelês é igual a um alentejano ou da Prelada... como um camponês quioco é igual a um beirão, e, um pescador nhanheca é igual a um penicheiro!
    Acredite em mim , que sei, lhe garanto.

    A diferença será só uma: a forma como ordeno as ideias e componho o discurso, porque muito do que sei foi aprendido no mesmo local que eles, a universidade só ajudou a organizar o que fui aprendendo e que me faz poder valer-lhes, seja a reparar uma ponte, detectar carências nos cultivos, avaliar a olho o peso de um animal ou caixa de sardinhas, podar uma árvore, tratar uma ferida, manobrar uma máquina, desenhar uma charca, calcular a elevação para um depósito de rega, entender que uma "onça" numa noite pode dizimar um curral de cabritos, uma n'goroca pode estar debaixo da electrobomba, sou capaz de contar uma história que eles entendam, dar um conselho adequado à condição e lugar... creio que é para isso que serve o saber, que é justamente o contrário da ignorância, o nosso tema de hoje!

    E li muito ao longo destes anos, sobre tudo!

    Um abraço distinguido cá da Cidade Morena, grato por me ter lido e dado atenção!
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    ASeve 30.06.2017

    Ó Pacheko, afinal és o IKEA em pessoa.
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