Lavagante
Se ainda não viram o filme de Mário Barroso chamado Lavagante, baseado numa pequena novela homónima de José Cardoso Pires, por favor vão ver. Se tiverem filhos adolescentes ou até mais velhos, mas que não façam a mais pequena ideia do que foi viver neste país à beira-mar plantado nos anos da ditadura, levem-nos convosco. É um belíssimo objecto artístico (o filme é a preto e branco, o que foi uma opção de tornar as cenas ainda mais realistas, porque tudo se passa durante o "reinado" de Salazar), com uma fotografia excelente, um bom gosto que é pouco comum entre os nossos realizadores, grandíssimos intérpretes, um guião realmente muito bem escrito (o cinema português está cheio de diálogos inverosímeis) e uma história de base que nos fala ao ouvido (às mulheres, especialmente) e nos recorda tempos em que o amor também podia ser censurado para sempre, separando-se dois amantes que iriam quase de certeza ser felizes. Numa altura como a que vivemos, de falsos moralismos e tentativa de regresso ao passado, em que certos políticos são realmente salazarentos, revisite-se a prosa de Cardoso Pires, e este Lavagante também, lido ou, pelo menos, visto. Vale a pena.

