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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Mar19

Lenda e descoberta

Maria do Rosário Pedreira

O pai de Gabriel García Márquez dizia que o filho devia ter dois cérebros, pois duvidava de que alguém que tivesse apenas um fosse capaz de tanta imaginação desde criança… É verdade que o seu querido Gabito (parece que lhe chamavam assim em pequeno) evidencia esse inegável talento para efabular em muitos dos seus romances, desde logo em Cem Anos de Solidão; mas diz-se que também na vida real criou algumas «lendas» sobre o destino de manuscritos e versões dactilografadas de livros seus. Parece, por exemplo, ter contado que metade das páginas de um dado romance se perdera porque, quando chegou aos Correios para as mandar ao editor, não tinha dinheiro suficiente para pagar o selo; e, como nessa altura o valor dependia do peso, mandou ao editor a primeira metade e o resto ficou para o dia seguinte. Ao editor, porém, só chegaria o segundo pacote… Disse também que não sabia o que era feito do dáctilo-escrito corrigido à mão da sua obra mais emblemática e que tinha um grande desgosto por o ter perdido. Mas agora descobriu-se que, afinal, o tinha oferecido ao próprio revisor do livro, o crítico mexicano Emmanuel Carballo, embora o filho do escritor colombiano estivesse convencido de que o pai destruíra todos os esboços e provas dessa obra maior. A descoberta vai, porém, deixar muita gente feliz, sobretudo os estudiosos do autor, que vão poder saber o que estava no livro antes da versão final. Se Gabo mentiu de propósito ou já não conseguia senão inventar, não sabemos.

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