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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Jun19

Ler os mestres

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui falei de um livro muito curioso de Adolfo García Ortega, O Comprador de Aniversários, que parte de uma cena de um ou dois parágrafos descrita em A Trégua, de Primo Levi, para inventar a vida e o passado de uma personagem e dos seus ascendentes na Hungria. Ora, vale a pena lembrar aqui o próprio A Trégua, que se assume como uma espécie de continuação da obra-prima Se Isto É Um Homem, do mesmo escritor italiano; porém, em lugar de descrever o terror do campo de concentração, A Trégua é dedicada ao que se passa a partir do momento em que os alemães, sabendo que os russos estão a caminho, fogem do campo de Buna, abandonando na enfermaria todos os convalescentes e doentes graves, entre os quais, de resto, se encontrava o próprio Levi, delirando de febre. Depois, a viagem até casa, em muitíssimas etapas, acompanhada de figuras verdadeiramente incríveis que se vão cruzando com Levi, alguns companheiros de desgraça e outros polacos postos ao serviço do exército russo, é uma espécie de odisseia cheia de momentos terríveis mas também muito especiais, de cumplicidade, medo, alegria, trauma. A libertação às vezes custa muito. Mas vale sempre a pena. A Trégua também.

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