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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Jan15

Ler sem pagar

Maria do Rosário Pedreira

Apesar de um bilhete para um concerto custar às vezes mais de 50 Euros – e o prazer e usufruto só durar umas duas horitas –, cada vez ouço mais gente dizer que os livros estão muito caros. Talvez não sejam caros, mas seja muito dinheiro, em todo o caso, para quem os quer comprar. O mercado português é pequeno (poucos habitantes e poucos leitores) e por isso as tiragens têm de ser pequenas, o que, na verdade, faz disparar o custo unitário dos livros, sobretudo por causa do montante da impressão. Com as notícias tristes de que os leitores portugueses regulares não estão a aumentar, também não é de crer que os livros fiquem mais baratos nos tempos mais próximos, embora muitos dos títulos não abrangidos pela lei do preço fixo (ou seja, que foram publicados há dezoito meses ou mais) estejam por aí à venda a três e cinco euros (livros bons, de resto). No entanto, para quem aprecia leitura digital e não se importa com o cheiro do papel (a geração mais jovem cresceu a mexer em botõezinhos e a olhar para ecrãs), há muita literatura de borla. E, se se tem a sorte de poder ler em inglês, a panóplia de livros grátis ao dispor é realmente considerável. Assim, deixo hoje aqui um link de cem sites donde pode descarregar de tudo legalmente sem pagar um centavo. E mais outro para livros portugueses. A sua algibeira agradece.

 

http://www.iheartintelligence.com/2014/08/31/free-books-100-legal-sites-download-literature/

 

http://observador.pt/2014/12/27/oito-paginas-da-internet-para-fazer-download-de-livros-legal-e-gratuito/

5 comentários

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    Passarinho 16.01.2015

    Para falar a verdade, eu julgo que o maior problema em Portugal é mesmo o facto de a leitura ser uma actividade extremamente desvalorizada pela população em geral. É certo que quem ama livros, ama-os incondicionalmente, e esses provavelmente nem sequer se lamentam quanto ao valor que gastam em livros e que, habitualmente, leva uma grande fatia do seu rendimento mensal.
    Na minha opinião, sinceramente, eu julgo que quem se queixa constantemente sobre o preço dos livros está simplesmente a querer justificar a sua pouca dedicação à leitura. Justificar provavelmente até para si mesmo.
    Parece-me que comparativamente há uns 10 ou 15 anos atrás, o preço dos livros era mais alto do que hoje. Além disso, as alternativas são imensas, a começar pelas bibliotecas - que continuam a fechar precisamente pela falta de utentes e leitores dispostos a motrar o seu amor pelas muitas dezenas de livros espalhadas pelas prateleiras. Seguidamente, é de relembrar que desde o início da produção literária, há tantas obras disponíveis em domínio público e que são de qualidade indubitável, em termos de conteúdo e forma.
    E finalmente, a internet veio democratizar ainda mais o acesso aos livros, pois várias são as bases de dados que reúnem obras em domínio público, disponíveis nas mais variadas línguas e, mais recentemente, com a proliferação do mercado de publicação de ebooks e com a publicação por parte dos próprios autores, muitos são os livros recentes disponíveis gratuitamente ou que estão à venda por um valor muito modesto.
    Reitero que me desagrada profundamente ouvir alguém queixar-se do preço dos livros. Como se costuma dizer na cultura popular, essas pessoas estão simplesmente a querer "tapar o sol com a peneira".

    É de louvar poder ler este seu texto, com o qual concordo, e agradecer pelo facto de estar a incentivar a leitura, já que ela é não só um prazer, mas deveria ser vista também como uma necessidade.
    Bem haja!
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    Beatriz Santos 17.01.2015

    "Na minha opinião, sinceramente, eu julgo que quem se queixa constantemente sobre o preço dos livros está simplesmente a querer justificar a sua pouca dedicação à leitura. Justificar provavelmente até para si mesmo."

    Penso que esta sua afirmação é um pouco drástica. Pode ser verdadeira para uma fatia da população que a usa como desculpa.

    Garanto-lhe, a maior parte da população portuguesa não pode fazer o que afirma mais à frente: "que quem ama livros, ama-os incondicionalmente, (...)quanto ao valor que gastam em livros e que, habitualmente, leva uma grande fatia do seu rendimento mensal."

    Para já, há muito poucos amores incondicionais. E o dos livros não é excepção. Quem deixa uma fatia substancial do ordenado em livros só a deixa porque pode deixar. Abdica de outras coisas? Sim. Mas pode fazê-lo, porque não retira com isso o pão da boca dos filhos, não deixa de pagar a renda, a água ou a luz. O que pretendo dizer é que a maioria da população portuguesa não pode dar-se ao luxo - é um luxo, pois - de deixar um terço do seu vencimento para livros, por exemplo. Metade da população suponho que receba entre 400 e 600 euros mensais. Mesmo com dois ordenados, já pensou a vida a partir desse parâmetro?!

    Quanto às bibliotecas...pois, aí já concordo mais. A cultura da biblioteca não nos entra. E seria uma boa forma de levar à leitura sem custos.

    No entanto, concordo, lemos pouco; não temos, como outros povos, o hábito da leitura. E isso sim, faria falta. Mas 50 anos de ditadura à portuguesa não se apagam em 40 de democracia pintalgada. Vão ser precisos muitos mais. Diz o povo que para baixo todos os santos ajudam. A subida é que é difícil. E sobre a nossa, que pára de quando em quando...
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    Passarinho 17.01.2015

    Apesar de o meu comentário poder parecer um pouco drástico, Beatriz, não julgue que o pronuncio por vir de um meio privilegiado. Pelo contrário. Eu própria nunca vivi com mais que os €600 que menciona, ou os meus pais sequer. E hoje, bem menos que isso. Cresci numa casa desprovida de livros, precisamente porque não havia dinheiro para os comprar. Mas era sempre o que pedia pelo Natal ou aniversário, inclusive a familiares. Os meus pais percebiam a importância dos livros e cedo me inscreveram na biblioteca municipal, e acabei por tornar-me uma das utilizadoras mais assíduas.
    Como disse anteriormente, ainda assim apesar dos constrangimentos, consegue-se comprar um ou outro livro por mês, nem que seja em segunda mão. Continua a ler-se, porque surgem as outras alternativas... as bibliotecas, alguém que se conhece e que simpaticamente nos empresta o livro, os serviços de trocas de livros, etc.
    Deixar de ler porque "os livros são demasiado caros", continua a soar-me a desculpa. É-o se a pessoa insistir em querer ler apenas as novidades que encontra nos escaparates.
    Se optar por títulos mais antigos por exemplo, os preços habitualmente são bastante mais razoáveis.
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    Beatriz Santos 17.01.2015

    Hummm...agora entendi melhor. Não foi o que me pareceu quando li. Sorry.

    Pois é, as novidades são sempre mais caras. É por isso que vou à 25ª hora da Feira do Livro e compro o que é de há mais de três anos:) três anos de atraso para mim não é nada. Assim como assim já ando sempre atrás de tudo. E o que é bom é bom pelos séculos fora.
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