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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Fev14

Levar com um livro na cabeça

Maria do Rosário Pedreira

As novas tecnologias são hoje um dado adquirido e, apesar de já não conseguirmos viver sem elas, muitas vezes penso que as máquinas inteligentes e a informatização de um sem-número de serviços simplificaram enormemente os processos, mas, ao mesmo tempo, mandaram bastante gente para o desemprego. Para o desemprego irão também, um dia destes, os funcionários dos Correios alemães (embora lá, aposto, o subsídio de desemprego seja melhor do que a maioria dos ordenados por cá), porque a Deutsche Post se prepara para os substituir na entrega de encomendas por drones, uma espécie de mosquitos gigantes telecomandados, até agora usados apenas com fins militares e, uma vez ou outra, no cinema (no filme O Aviador, eram drones que filmavam os voos de Howard Hughes). A utilização é polémica, não só porque a tecnologia avançou mas a legislação sobre a matéria não acompanhou, pelos vistos, o avanço, mas também porque se multiplicam histórias que acabam mal sobre estes «bichos», entre as quais a de um drone com uma câmara de filmar de alta resolução que foi lançado de um arranha-céus nova-iorquino e, certamente por aselhice do dono, andou a dar tombos em janelas de mais de dez edifícios circundantes antes de iniciar uma queda vertiginosa e de acabar partido aos pés de um transeunte que só por milagre não levou com o dito na cabeça. A Polícia, que confiscou os restos do aparelho, sabia que devia ser uma coisa importante, mas não sabia o que era exactamente... Ora, na imagem que anunciava o recurso a drones pelos Correios alemães num futuro próximo (mas será tão próximo assim?), vejo um pacote (que podia conter um dicionário) seguir caminho nas garras do mosquito electrónico e temo que venha a cair cima da cabeça de alguém. Encomendas de livros online vão ter os dias contados para muita gente quando as entregas passarem a ser feitas por drones. E queira Deus que isso não signifique mais gente no desemprego.

 

4 comentários

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    Pedro A. Sande 18.02.2014

    Severino, nem era preciso chegar a tanto. Mas tem razão: a diminuição do horário de trabalho é inevitável e era altamente desejável numa altura de contracção económica por via da procura, numa altura de necessidades materiais e imateriais por satisfazer.
    Esta economia em que vivemos na actualidade perdeu o sentido da resolução dos problemas, ao esquecer-se da resposta de Talcott Parsons . Parsons , o sociólogo moderno, ex-economista, que resolveu tornar-se sociólogo face à percepção de que a economia só existe como resolvente dos problemas sociais. Tudo o resto é abstracção.
    E nem vale a pena falar em Keynes e nos buracos que se abrem e fecham para não contrair mais a economia e que não são geradores de inflação, já que os neo-liberais neo-clássicos da ignorância logo contrapunham que o Estado não deve estar na economia já que o contamina pela ineficácia, dizem.
    Numa Europa de políticos com grandes orelhas de burro, falta de experiência e competências em que muitos ainda não perceberam de que pior do que o gorgulho inflacionista (que é só um problema quando se consome em excesso para além da capacidade potencial de produzir) só a bactéria autofágica deflatora que se alimenta do tecido... económico.
    Deflação que coloca o rendimento potencial a níveis tão baixos, alimentando um vórtice de empobrecimento que a quase (e o quase engloba especuladores, rentários , corruptos, etc.) ninguém aproveita.
    Viver numa economia de subprodução como a que actualmente vivemos, geradora de perdas de consumo para além das importações (e mesmo a estas é preciso tomar em conta a componente de input para externalizar - via exportações), é de uma total inanidade mental de ignorantes ou delirantes, de indivíduos com uma muita fraca capacidade de reflexão e de diálogo com o passado e com os livros que o encerram, disponibilizam, estimulam.
    Um plano nacional de leitura, um novo fôlego para as artes sem necessidade de apoios públicos (bastava a discriminação positiva por impostos em sectores imateriais de prestação de serviço ao público), para lhes povoar a verve, imputar conhecimento e ideias... era-lhes francamente adequado!
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    António Luiz Pacheco 18.02.2014

    Um plano nacional de leitura para os políticos!
    Ó PAS...
    Para se poderem ocupar cargos, seria obrigatório terem lido um certo número de obras, a eleger conforme o cargo! E fazia-se-lhes um exame, olá!
    Isso é que era!
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    ASeverino 19.02.2014

    E não deveria ter medo porque se na profissão que exerço (formador) tivesse medo demitia-me (da função) por incompetência!
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