Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

19
Mai15

Língua materna madrasta

Maria do Rosário Pedreira

Agora, quem quer candidatar-se ao ensino (a dar aulas) e tem menos de cinco anos de serviço, é obrigado a fazer uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (mais conhecida por PAAC). Muitos acham um ultraje e uma humilhação terem de submeter-se a tal coisa, até porque uma instituição universitária lhes deu um diploma e isso prova que podem ensinar; mas não é essa a questão que venho hoje aqui discutir. O que me interessa é a notícia de que, dos 106 professores que fizeram (contrariados ou não) a prova de Português em Março último, mais de 60% tiveram nota negativa e a média no total dos candidatos foi de 46,2%. Li que na disciplina de Físico-Química aconteceu ainda pior, e não muito diferente na de Biologia e Geologia do Secundário, mas, como nunca fui boa a matérias científicas, aceito talvez melhor estas falhas. No entanto, que pode ser tão complicado na prova de Português que faça chumbar tanta gente? A interpretação? A ortografia? As regras gramaticais? A capacidade de escrever um texto coerente? Sinceramente, não faço a mais pequena ideia, mas a verdade é que encontro cada vez mais gente incapaz de escrever algo que faça sentido e com um mínimo de correcção. Até nos jornais tenho frequentemente de ler duas vezes o título da notícia para perceber de que estão a falar... Que se terá passado com o ensino da língua materna na escolas, incluindo a universidade? Há uns anos, uma professora universitária da área científica escreveu um texto, para publicação num catálogo que eu iria rever, que começava assim: «A ancestralidade das baleias dista de há muito tempo.» (No comments.) Não sei como esta senhora chegou a professora universitária, mas, se tivesse passado por uma PAAC, não teria chegado... Ninguém devia estar na Academia, muito menos a ensinar outros, sem conhecer bem a língua materna. Ninguém deve ensinar outros em qualquer grau de ensino sem saber a sua língua.

8 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Artur Águas 19.05.2015

    Atirar a pedra e esconder a mão !
    É triste constatar como o espírito da inquisição ainda perdura nas mentes deste nosso país.
  • Sem imagem de perfil

    hidden hand 19.05.2015

    Neste país de compadres, quem não os tem só se safa atirando a pedra e escondendo a mão.
  • Sem imagem de perfil

    LSR 19.05.2015

    Num desespero de encontrar erros gramaticais, o nemo sum até os inventa:

    1) "Agora, quem quer candidatar-se ao ensino (a dar aulas) e tem menos de cinco anos de serviço, é obrigado a fazer" - Esta frase está perfeitamente correcta; as gramáticas geralmente tem sempre um caveat sobre a arbitrariedade da colocação de vírgulas; neste caso compreende-se que MRP colocou-a ali porque a frase já ia longa e quis dar uma pausa ao leitor. Perfeitamente comum para quem já leu um livro de Camilo e Eça.

    2) "Não sei como esta senhora chegou a professora universitária, mas se tivesse passado por uma PAAC, não teria chegado..." - Aqui vê-se o contrário; com um vírgula há uma palavra atrás não há razão nenhuma para outra logo a seguir, a não ser que se queira submeter o leitor a um pára-arranca desnecessário; a frase como MRP a escreveu é muito mais fluida e clara do que a sua versão. Mais uma vez, Eça faz isto até se perder a conta.

    3) "Muitos acham um ultraje e uma humilhação terem de submeter-se a tal coisa" - O Meu Lindley/Cintra não aponta esta construção como errada. Uma tendência geral não faz uma regra gramatical.

    4) "não faço a mais pequena ideia" - Agora está mesmo a ser picuinhas; isto é Português normal. Se isto valer um erro no exame, então há 10 milhões de analfabetos em Portugal.

    5 "Ninguém deveria estar na Academia". - Idem.
  • Sem imagem de perfil

    Fernando 19.05.2015

    LSR

    Apenas comento o seu ponto 2).
    Mais correcto será:
    "Não sei como esta senhora chegou a professora universitária mas, se tivesse passado por uma PAAC, não teria chegado..."
    Veja a modificação da frase, também correcta:
    "Não sei como esta senhora chegou a professora mas, não teria chegado, se tivesse passado por uma PAAC..."
    Não adianta anadarmos por aqui como "coca-bichinhos" ou "coca-errinhos" a desmanchar a escrita dos outros; fazendo-o, estamos a expor as nossas fraquezas linguísticas e gramaticais.
  • Sem imagem de perfil

    João Carlos Reis 20.05.2015

    Prezado Fernando,
    espero que não leve a mal, mas aqui estou eu a "ajudar à festa"... eheheheheheheh...
    Agora a sério: gramaticalmente a conjunção "mas" é sempre precedida de virgula, excepto quando o contexto exija um ponto antes.
    Espero que com esta minha singela contribuição tenha ajudado numa melhor redacção de textos.
    Muito obrigado.
  • Sem imagem de perfil

    Fernando 20.05.2015

    João Carlos Reis

    Não levo a mal, tanto mais que a correcção é evidentemente pertinente, sendo este "mas" o equivalente de "contudo", "porém" ou "todavia".
    Leva antes e leva depois, no caso em apreço, como também pode ser como eu escrevi.
    Nos casos em que a frase contém mais elementos de conjunto - tais como "não só eu mas tembém o João Carlos Reis comentamos neste post" - é que não leva a vírgula, nem antes nem depois.
    E, sim, depois de ponto final, ponto e vírgula ou reticências, o "mas" não precisa de vírgula antes. Esta até o La Palisse sabia. Se ler o meu comentáro na ponta final deste bloco, verificará que tenho um "Mas" após as reticências.
  • Sem imagem de perfil

    João Carlos Reis 29.05.2015

    Prezado Fernando,
    muito obrigado por me elucidar quanto ao exemplo que deu, pois por ser raro nem me lembrei dele... eheheheheheheh...
    Quanto às vezes em que não é necessária virgula, eu é que não me expressei bem, pois o que eu queria dizer era quando a conjunção "mas" é utilizada no início duma frase.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    A autora

    foto do autor

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2021
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2020
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2019
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2018
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2017
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2016
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2015
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2014
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2013
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2012
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2011
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2010
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D