Maya
Se não tem nada que ler este fim-de-semana (o que é quase impossível tratando-se de um leitor deste blogue... mas há sempre surpresas), vou sugerir-lhe um livro que li há pouco e de que aqui ainda não falei. Trata-se de A Mamã e Eu e a Mamã, de Maya Angelou, uma autora norte-americana negra nascida em 1928, que resolve claramente dedicar esta obra à sua mãe Vivian Baxter, que foi realmente uma heroína numa América altamente segregacionista e racista, e conseguiu ser autónoma, empresária e proprietária num tempo em que os negros não podiam ainda entrar em escolas e hotéis, senão como funcionários. Este é um livro da maior admiradora de Vivian (a filha, evidentemente) e da relação entre ambas (com seus altos e baixos, claro, mas quase sempre com uma avassaladora cumplicidade, principalmente nos maus momentos de ambas, que são bastantes); mas é também uma das várias autobiografias da própria escritora, a Maya que se contou a si mesma em sete livros não sequenciais. Neste, apesar do abandono da mãe (que a enviou muito nova com o meio-irmão para casa da avó no Arkansas, onde nada acontecia, e os mandou chamar sete anos depois de repente), Maya reage inicialmente mal ao regresso, mas acaba por se fascinar com Vivian e o seu poder para resolver tudo, enquanto o irmão não consegue perdoar inteiramente ter sido separado da mãe e acaba por se dar mal na vida. A leitura é muito fluida, muito à flor da pele, e o livro faz-nos um retrato da América contado a partir desta relação entre duas mulheres que foram quase tudo na vida. A nobelizada Toni Morrison diz que Maya Angelou não tem duplicado, e Oprah Winfrey confessou ter-se inspirado nesta mulher que, entre outras coisas, leu poemas na abertura da Administração de Bill Clinton.

