Memórias
Há excelentes livros de memórias, embora não deixe de confessar que é um género que raramente visito, sempre condicionada pelo ofício de lançar autores de literatura e ter de acompanhar o que por aí se vai escrevendo em matéria de ficção. Mas estas Memórias Minhas, de Manuel Alegre, podem ser lidas aos bochechinhos, pois são, antes de tudo, feitas de pequenos fragmentos muito legíveis, embora arrumados depois em capítulos com temas específicos, maiores ou menores, o que facilita muito irmos direitinhos ao que nos interessa e também nos permite folhear e ir lendo aqui e ali uns parágrafos (eu, pelo menos, já li assim muitos episódios relacionados com a sua candidatura à Presidência da República e com a escrita e o mundo dos livros, que foi por onde quis começar). Importante é também o facto de o poeta-político nos dar um testemunho privilegiado quer do país cinzentão da ditadura que o mandou à guerra, perseguiu e exilou, quer do período democrático, no qual teve esperanças e desilusões, simpatias e desavenças, incluindo com os do seu partido. Esta é, pois, uma viagem para todos os que querem revisitar o Portugal dos últimos sessenta ou setenta anos e a sua história social e política, mas também alguns episódios pessoais que sempre tornam mais coloridos os livros de memórias.


