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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Abr18

Mentir melhor

Maria do Rosário Pedreira

Já não tenho a certeza, mas julgo que foi o escritor brasileiro Inácio de Loyola Brandão, delicioso octogenário, que nas últimas Correntes d’Escritas contou uma história que tem a sua piada. Dois amigos, um pianista e o outro escritor, estavam a beber uma cervejinha e a ouvir um disco de música clássica (para simplificar, vamos imaginar que Pedro e o Lobo, de Prokofiev, peça na qual os instrumentos imitam os sons da natureza na perfeição). Impressionado com o que escutava, o escritor disse ao seu amigo que os músicos tinham uma capacidade de mentir absolutamente fantástica e que tinha pena de não ter essa mesma possibilidade no seu ofício. O amigo músico encaixou a frase, processou-a no tempo devido e devolveu que o escritor estava completamente enganado, que um escritor tinha, efectivamente, capacidade de ser muito mais mentiroso do que um compositor. O interlocutor quis então saber em que argumento se baseava o pianista para fazer tal declaração, ao que este explicou: «Bem, é que eu só tenho 7 notas, enquanto você tem 23 letras!»

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