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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

14
Mar18

Método de escrita

Maria do Rosário Pedreira

Os que escrevem livros e participam em encontros com leitores nunca se escapam de responder a meia dúzia de perguntas recorrentes. Se se trata de um autor de literatura infanto-juvenil, eu avançaria, por experiência própria, que as questões mais frequentes dos miúdos se prendem com a chatíssima... «inspiração». «Donde retira a inspiração para os seus livros?», «Donde lhe vêm as ideias?», «Onde se baseia para escrever as suas histórias?» e outras perguntas do género estão invariavelmente presentes nas sessões que se realizam nas escolas (e, para que fiquem a par os Extraordinários, já nenhum miúdo sabe o que é a «massa cinzenta» quando é essa a resposta; agora é preciso dizer que tiramos os argumentos da nossa própria cabeça). Mas, se o escritor se dedica ao romance literário para gente crescida, também há sempre alguém no público que, na hora de interpelar o convidado, o interroga sobre o seu «método» quando, na maioria das vezes, a literatura obedece a tudo menos regras. Pois bem, nas últimas Correntes d’Escritas, contou-se numa das mesas que Antonio Skarmeta, o chileno que escreveu O Carteiro de Pablo Neruda, estava num festival literário e, na assistência, alguém quis saber qual era o seu método de escrita. Depois de pensar um nadinha, Skarmeta respondeu: «Amigo, eu não sou ornitólogo, eu sou pássaro. Não analiso, voo.» Uma resposta que só podia vir de um escritor.

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