Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

08
Mai18

Na Fundação Nobel

Maria do Rosário Pedreira

Prometi há dias, a propósito das recentes demissões no Comité Nobel e do anunciado atraso no anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura (que só será feito  no ano que vem) que falaria aqui de mais uns escândalos relacionados com a Fundação Nobel. O primeiro tem que ver, logo em 1901, com a celeuma que originou a atribuição do prémio da Literatura ao francês Sully Prudhomme, considerado um reaccionário por mais de meia centena de intelectuais suecos, quando deveria ter sido entregue a Tolstoi (realmente, quem saberá hoje quem foi o poeta gaulês?). Dez anos depois, Marie Curie, vencedora do Nobel da Química (galardoada pela segunda vez), é aconselhada pela Fundação a não se deslocar a Estocolmo para a cerimónia depois de uma revista ter revelado que mantinha um caso com um homem casado (mas ela esteve-se nas tintas e foi na mesma). Boris Pasternak, o autor do conhecido Doutor Jivago, considerado pelo regime soviético um pró-ocidentalista, vencedor do galardão em 1958, aceita o prémio, mas depois, prevendo as consequências que isso lhe trará, acaba por recusá-lo... A lobotomia praticada (e premiada!) pelo português Egas Moniz foi duramente criticada pelos cientistas mais avançados em todo o mundo, até porque as experiências foram feitas com internos em hospícios sem o consentimento de ninguém e colocaram graves problemas de ética. Jean-Paul Sartre recusou o Nobel da Literatura em 1964 em nome da liberdade e Soljenitsin, dissidente soviético, foi obrigado a recusá-lo para não ter de se exilar em 1970. E há mais, sobretudo no que toca ao Nobel da Paz, mas o meu preferido é o do decote da ministra da Cultura sueca, considerado completamente desadequado à cerimónia de entrega dos prémios no ano de 1992…Ora vejam:

 

ob_e625b1_b190cdcc-33fb-49e4-ac39-14423bda679a-w.j

 

9 comentários

Comentar post