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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

21
Abr17

O fascínio dos nomes

Maria do Rosário Pedreira

Há uns anos, mandaram um fotógrafo do jornal Público para me fotografar (já nem me recordo bem a que propósito) e, quando lhe perguntei como se chamava, respondeu-me: Miguel Manso. Pensei logo que fosse o poeta Miguel Manso, mas ele explicou-me que os confundiam constantemente, mas que não eram sequer parentes. Um dia destes, no suplemento «Ípsilon», havia um grande artigo sobre o poeta e o seu último livro (Rosto, Clareira e Desmaio, publicado pela Douda Correria) e a fotografia que o acompanhava era do outro Miguel Manso; um Miguel Manso a fotografar um Miguel Manso tem a sua graça... Também já me aconteceu na Feira do Livro de Lisboa uma jovem chamada Rosário Pedreira vir pedir um autógrafo a esta Maria do Rosário Pedreira e eu pensar que era uma brincadeira… Há uma história deliciosa que Manuela Goucha Soares publicou recentemente no Expresso e se prende com o cantor Olavo Bilac, que tem este nome porque o herdou do seu pai, um senhor que viveu em Macau e foi depois bancário em Moçambique. Este segundo Olavo Bilac foi assim baptizado por causa do príncipe dos poetas brasileiros, o Olavo Bilac original, que terá passado por Cabo Verde em 1916, terra onde vivia Cristina Maria, avó do cantor. Não só, na altura, o poeta tinha uma grande popularidade em Portugal e era referido com parangonas por toda a imprensa, como se sabia que combatia o racismo, e talvez tenha sido essa a razão que fez com que Cristina Maria desse o seu nome ao filho que viria a ter. A única coisa estranha é que o cantor Olavo Bilac, apesar desta história, confessou ao jornal nunca ter lido o poeta que está na origem do seu nome. O fascinante artigo pode ser lido aqui:

 

http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-04-06-O-cantor-Olavo-Bilac-tem-49-anos.-Mas-Olavo-Bilac-foi-aplaudido-em-Lisboa-ha-101-anos.-Saiba-como

 

4 comentários

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    Cristina Torrão 21.04.2017

    Tal como o Luís, também não me surpreendeu nada que o Olavo Bilac nunca tenha lido nada do poeta. Uma explicação pode ser um mecanismo psicológico muito comum, muitas vezes, de forma inconsciente. Acontece que o facto de levarmos um nome de alguém que os nossos pais muito admiram, ou admiravam, pode funcionar como uma espécie de fardo, embora a intenção seja honrar-nos. Na verdade, há, em cada um de nós, a vontade de ser único, porque qualquer ser humano é sempre único. Ser nomeado, tendo outra pessoa em mente, pode causar problemas, pois é raro alguém gostar de ser confundido, comparado ou identificado com outrém, ainda que com um génio. É, por isso, bem possível que este Olavo Bilac, ainda que inconscientemente, tudo faça para não ser identificado com o seu homónimo, o que também passa por se afastar da obra deste.

    Com em tudo na vida, há exceções, claro, só referi uma possibilidade.
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    Puck 21.04.2017

    Que o digam os Vítor Hugos e os Julios César deste mundo, bem como as Ana Belas e as Purezas.
    E o Declínio do Amaral Junior também não deve ter tido uma vida fácil!!!
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    Joaquim Jordão 21.04.2017

    ... para já não falar do Eduardo Lembrança de Aliás.
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