O primeiro dramaturgo
Hoje é dia de celebrar o nosso primeiro dramaturgo digno desse nome: Gil Vicente. Quando eu andava na escola, este autor era mesmo uma lufada de ar fresco, pois, fechados no cinzentismo do regime, podíamos finalmente largar umas gargalhadas com alguns vocábulos que usualmente não apareciam nos textos («caganeira», por exemplo) ou corar com um «fi de puta» que persistia, apesar de as selectas literárias terem muitos cortes. Porém, a poesia de Gil Vicente vai estar hoje em grande no El Corte Inglés, às 18h30, numa sessão de leituras organizada por José Anjos no âmbito do ciclo Poem(Ar). Ao organizador vão desta vez juntar-se os maravilhosos encenadores Miguel Loureiro e Miguel Sopas e ainda o violinista Francisco Ramos, para interpretarem passagens da obra poética e dramática do nosso Gil Vicente, retiradas por exemplo do Auto da Barca do Purgatório ou do Auto da Barca do Inferno, obras que permanecem actuais porque os defeitos das pessoas não mudam e continua a haver sacristas por todo o lado, na Igreja, na política e na sociedade em geral. Vamos? É na sala do Âmbito Cultural e só podemos sair de lá bem-dispostos.