O que ando a ler
Movida já não sei bem porquê, levei de uma livraria num certo sábado um romance de uma autora chamada Anne Michaels, de quem não me parece que tenha lido alguma coisa antes desta. O livro chamava-se Abraço (como um antigo livro de crónicas de José Luís Peixoto) e talvez tenha sido a ideia de um texto que nos abraça que me fez comprá-lo sem mesmo ter lido a contracapa; ou então a frase «Finalista do Booker Prize 2024» debaixo do título, é o mais certo, porque se trata de um prémio de prestígio e geralmente contempla literatura de qualidade. Para não mentir, estou a levar tempo a lê-lo, apesar de não ser extenso; é, no mínimo, um texto fora do normal, muito fragmentado, dividido em partes em que as personagens são outras (noutro tempo e noutro lugar), mas quase sempre numa situação de guerra ou sentindo a ausência de alguém que lá está (soldado, ferido, enfermeira, médica...) e terá deixado os seus por desígnio ou altruísmo. A crítica chamou-lhe romance, e na verdade o Booker Prize é um prémio para romances, mas eu não lhe encontrei exactamente uma linha condutora, são episódios muito vagamente ligados, mesmo que bastante bonitos (a história de Mara com o pai é a mais bela até aqui). Ainda não percebi, porém, se estou a gostar. Em todo o caso, parece pelo menos uma coisa nova, diferente, o que é bom para quem, como eu, valoriza muito a originalidade. A tradução é que podia ser melhor, talvez tenha sido feita com demasiada pressa, escapou um «pudessem haver» que também fugiu ao revisor, e tem palavras esquisitas como «cobardice» e expressões mal traduzidas (um «by himself» que é claramente «sozinho» e foi traduzido por «por ele mesmo», parece erro de principiante). Coisas que acontecem aos melhores ou uma ajuda da IA? Espero que não.

