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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Fev14

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Aconselhada por um ou mais Extraordinários (ou seja, leitores deste blogue) – e apesar da escassez de tempo para o que não é leitura profissional (sim, levo trabalho para casa quase todos os fins-de-semana e ainda tenho mais de sessenta originais em espera) –, pus o dente na saga da família Melrose, de Edward St Aubyn, mais concretamente na primeira das duas novelas que compõem o volume (até agora o único) publicado em Portugal (e que, além de Deixa Lá, inclui Más Novas, mas ainda lá não cheguei). Bastante cínica e um tanto snobe, esta prosa que só podia ser de um inglês que se declara na capa possuir a verve de Oscar Wilde (percebo a ideia, mas não iria tão longe) desconcerta um pouco a princípio, sei lá se por causa de uma tradução vagamente elaborada do poeta Daniel Jonas, mas torna-se rapidamente camisola à medida das figuras e do enredo. A primeira incursão na vida dos Melrose dá-nos a conhecer um David bastante frustrado por não ter podido seguir a carreira de pianista (a febre reumática tramou-lhe os planos), uma Eleanor viciada em álcool e comprimidos (que faz pena, mas irrita bastante) e o pimpolho do casal, Patrick, de cinco anos, que está quase sempre sozinho e, por vezes, parece mais adulto do que os pais (e mais normal). É, de resto, a vida de Patrick, menino bem, filho de gente rica a viver confortavelmente na Provence, que St Aubyn irá acompanhar ao longo de um quinteto de novelas – leio que, em Más Novas, Patrick já terá vinte e dois anos; aqui, porém, ainda é o miúdo dos Melrose que se empoleira no bordo de um poço de costas voltadas para o abismo e leva uma tareia do pai sem perceber porquê (juro que não tem nada que ver com a sua ousadia no poço). Vamos ver no que se transforma. Ainda só li oitenta páginas.

2 comentários

  • Sim senhor, como disse Saramago:" ler é viver, escrever pressupõe ter vivido". o amigo António Luiz não brinca em serviço... Por acaso também li o referido, tanto ao Rafael Marques, como ao Francisco Louçã. Do Rafael Marques fiquei muito aborrecido porque, para mim, não acrescenta nada e chateia-me aquela perspectiva que agora não quero adjectivar. O Louçã desiludiu-me pois aquilo é do que diz e volta a dizer de comentador de TV, nem sei bem qual a sua razão para tamanha hostilidade e se ao menos fosse concludente e assertivo , nem parece grande professor de economia: entende muito pouco do mundo para lá das politiquices dos corredores académicos e das visões do chamado Ocidente, aprecio muito mais a posição de João Ferreira do Amaral com a questão da saída do €, quer se concorde, quer não. De resto, gostei de voltar ao Gonçalo Torrente Ballester , ao Alves Redol (por via da bela exposição do Neo-realismo do Museu de Vila Franca) e, por último, de ter conhecido "O Preto de Coração Branco" de Arthur Japin ; não me interessa tanto o romance enquanto estética literária, mas gostei de ver como o autor andou ali a expor o tema cujo entendimento e compreensão hipotéticas advirão através de pormenores sobretudo por interpostos discursos directos - eu não o escreveria daquela forma, mas gostei e acho que vivi. Ainda fui ao consultório de Lobo Antunes, mas bati com a porta mais uma vez: ele afirmou, numa interessante entrevista, que já não publicará mais - a partir de agora, escreverá e rasgará, como fazia antes, por mim não gosto de ir ao psiquiatra, nem ao psicólogo, porém há quem aprecie muito...
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