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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Fev17

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

O meu querido irmão Jorge ofereceu-me no Natal o último livro de Ian McEwan, Numa Casca de Noz, traduzido por Ana Falcão Bastos, que tenho o prazer de conhecer há muitos anos. Possuo – julgo eu – a obra ficcional completa de McEwan (comecei a lê-lo pel’ O Jardim de Cimento em 1987, era ele um jovem e eu também), mas ainda não tinha conseguido pegar nesta maravilha que ando agora a ler. O protagonista do romance é – pasme-se! – um feto (enroladinho como se estivesse numa casca de noz) e, por acaso, já não lhe falta assim muito tempo para nascer. Concebido por Trudy (uma doidivanas manipuladora que bebe demasiado vinho, especialmente para uma grávida) e John (um editor de poesia melancólico que a ama desesperadamente), o bebé que fala connosco ouve tudo o que se passa dentro do corpo mãe (os pormenores são divinos) e bem assim cá fora, perto dela; e, por isso, não só anda preocupado com o estado do mundo a que virá aportar (Trudy gosta de ouvir rádio e as notícias raramente são animadoras), mas sobretudo com a família que lhe calhou em sorte, pois a mãe está em vias de trocar o marido pelo cunhado e, com a ajuda deste, «livrar-se» de John e… também, a seu tempo, da criança que tem na barriga. A cerca de duas semanas do parto, a indignação do bebé é grande e vamos ver como as coisas se vão desenrolar até lá, que ainda me faltam umas cem páginas, onde tudo pode acontecer. Uma escrita fantástica, uma leitura desafiante.

6 comentários

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    Anónimo 01.02.2017

    Pastilha elástica literária???!!!
    Ora bolas, Artur, e agora é que avisa?
    Agora que eu já os comprei?
    Não sei é quando vou lê-los tal o tamanho da pilha em lista de espera, mas espero sinceramente não concordar consigo desta vez.
    Antonieta
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    Artur Aguas 01.02.2017

    Cara Antonieta, o defeito deve ser só meu porque a minha mulher já leu com agrado mais do que um livro da Ferrante e o Professor Marcelo até recomendou a autora aos políticos nacionais. Eu comecei a ler "A Amiga Genial", achei as primeiras 3/4 páginas interessantes por nos porem perante um enigma que nos faz ler mais (uma mulher sexagenária subitamente desaparece por sua livre iniciativa e faz tudo para não deixar rasto), mas depois passei a ler o livro com bastante menos prazer. Após este excelente e enigmático introito, o livro tornou-se numa sucessão de estórias estravagantes da infância comum da narradora e da desaparecida, à cadência de duas estórias estravagantes por página, e eu dei por mim, ao fim de ler mais umas 60 páginas, a pensar que estava perante o roteiro de um filme de Fellini de segunda categoria, ainda por cima narrado através de um estilo plano, jornalístico e de pouca densidade literária (a tal pastilha elástica de que falei; depois de cuspida, não deixa nada). Estou feliz com os livros que estou atualmente a ler e arranjarei daqui a um mês tempo para o longuíssimo "4321" do Auster.
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    Anónimo 01.02.2017

    Caro Artur, aqui para nós (que ninguém nos lê) confio muito mais no seu gosto literário do que no do Professor Marcelo que, se bem me lembro, se limitava a mostrar capas de livros a uma velocidade vertiginosa.
    O Auster é outro dos 'meus autores' e estive hoje com o 4321 nas mãos - mas fiquei tão desanimada com o tamanho das letras (e com o preço) que não sei se o irei comprar...
    Antonieta
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    Artur Aguas 01.02.2017

    Realmente quase 1000 páginas de letra pequenina e quase 30€ de custo é de pensar duas vezes...
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    Ana 01.02.2017

    Antonieta,
    a opinião de uma miúda de 24 anos não vale muito mas tentarei.
    Parece-me que todos aqui são veteranos e muito mais aptos para falar de Literatura do que eu.
    Ferrante não é pastilha elástica, na minha opinião, nem de longe. Mas, não é uma obra-prima, que é o que sempre desejamos. Logo agora que leio Proust!
    Todavia, cada um avalia consoante a idade, a experiência e o gosto pessoal.
    Entusiasmei-me sobretudo com "Crónicas de mal de amor" que, julgo bem mais arrebatadoras. Por serem mais cruas, talvez.
    Este quarteto napolitano,para além de nos dar a conhecer Nápoles e a sua máfia ainda que bastante reduzida ao espaço, existem aspectos íntimos (nossos), de que possivelmente nos envergonhamos, mas que estão descritos e muito bem. Amores, ódios, oportunidades, percursos de vida, juntamente com as nossas insatisfações, os nossos temores. De resto, quem somos e o que fizemos.
    Para além do estilo elegante que caracteriza a escrita, essa mesma passa a ter um papel importante na exposição realista de pormenores e descrições das sensações dos actos íntimos de Elena, como para vincar a liberdade e fundamentar a atitude da mulher na sua emancipação na sociedade, como também se intensifica a linguagem grosseira para tornar claro a forma de expressão e o pensar natural das pessoas sem o verniz púdico que muitas vezes cobre a literatura.
    Não me parece dinheiro nem tempo deitado fora. Acho que e espero que seja do seu agrado. Dizem que somente mulheres gostam de Ferrante, exceptuando Wood. Mergulhe sem medos. Depois, informe-nos.
    Desculpo-me já pelos erros e má análise mas estou a comentar pelo telemóvel.
    Sem medos, Antonieta ;)

    São livros muito gulosos, a leitura é voraz, no entanto, não significam que sejam de leitura muito fácil. São mais profundos do que possam parecer à primeira vista. Já que os comprou, leia. Depois nos dirá.
    Sempre achei que Ferrante era mulher, parece-me impossível um homem escrever como e o que ele escreve.
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