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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Out18

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Por acaso, já acabei, mas é dele que falo agora porque se apresenta a oportunidade e depois sei lá se não me esqueço. Em primeiro lugar – há que dizê-lo –, é preciso louvar a autora pela coragem de publicar um romance quando é crítica literária há tantos anos (telhados de vidro, portanto). Ana Cristina Leonardo, uma senhora da minha idade (com um humor verrinoso que quase sempre lhe fica bem), escreveu O Centro do Mundo, uma peça literária bastante diferente dos romances ditos clássicos; a história debruça-se sobre o espião Boris Skossyreff, apátrida, cheio de dívidas e pretenso rei de Andorra, que passa por Olhão (lugar que figura na capa do romance e é a terra natal da autora) nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, em busca de um barco que o leve a Marrocos; é em Olhão que conhece um médico e intelectual que, com várias outras vozes, acabará por ajudar a contar a história da sua passagem por Portugal muitos anos mais tarde. Esta história, cujos episódios se estendem à guerra civil de Espanha e ao nazismo, terminarão com o magro Skossyreff esfomeado num gulag na Sibéria (aqui são belíssimas as descrições, para mim as melhores do livro, juntamente com as das primeiras páginas). A autora interpela-nos, provocadoramente, ao longo da narrativa, inclusive para nos cultivar (há notas de rodapé para quem quiser aprender). Uma interessante estreia na ficção para adultos.

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