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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Out19

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Leio a obra vencedora do Man Booker Prize em 2018 – Milkman, de Anna Burns, nascida em Belfast, onde, de resto, decorre toda a trama do romance que, em certas coisas, me remeteu para Pátria, de Aramburu, talvez por ambos os enredos se desenvolverem no período anterior ao cessar-fogo pelos grupos terroristas (no País Basco e na Irlanda do Norte). A obra de Anna Burns tem como narradora uma rapariga que vive num bairro assinalado como sendo absolutamente anti-governo e onde todos os moradores (mesmo os que não pertencem às «milícias») são vigiados, fotografados, investigados, apanhados, levados para se tornarem informadores dos «do lado de lá»; onde todas as famílias (incluindo a dela) têm medo (até de ir ao hospital) e perderam pessoas que puseram bombas, ou estavam no sítio errado à hora errada, ou andam fugidas, ou foram mandadas embora; onde os heróis podem usar o nome «Milkman» e isso fazer com que o desgraçado do leiteiro a sério (personagem fascinante, aliás) vá parar ao hospital; onde ter dezoito anos e «um namorado mais ou menos» não salva a protagonista de ser coagida a ter sexo numa casa de banho por «um dos seus»; e onde o facto de um dos cabecilhas do bairro a abordar um dia na rua leva toda a gente a dizer que ela perdeu a cabeça e não a livra de sofrer as consequências disso (e são muitas!). A linguagem divertida e inventiva da narradora (que adora ler enquanto caminha) e as travessuras das irmãs mais novas compensam a dureza do ambiente, de uma violência latente, que não nos deixa espaço nem para respirar. Uma história passada nos anos 1970, com a Irlanda do Norte ao rubro. A tradução – e boa – é de Miguel Romeira. O livro é da Porto Editora.

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