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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Mai20

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Estou mesmo no fim de A Contraluz, de Rachel Cusk, uma autora canadiana de quem ainda não tinha lido nada. Foi considerada pela revista Granta em 2003 uma das mais promissoras escritoras de língua inglesa e já publicou quase uma dezena de romances, tendo sido galardoada ou finalista de importantes prémios, tais como o Whitebread, o Somerset Maugham ou o Orange. O romance é muito curioso porque trata de como alguém que escreve (como a autora, de resto) é, em muitos casos, um ouvinte exemplar. A protagonista, que é escritora e vai fazer uma oficina de escrita em Atenas durante o Verão, está ao longo da sua estadia na capital grega com variadíssimas pessoas (o homem que veio ao seu lado no avião, uma escritora grega de sucesso, amigos gregos, os alunos do curso, a mulher que ocupará o quarto que ela alugou e chega mais cedo do que era suposto); e, na verdade, essas pessoas carregam-na com as suas histórias e ela pouco consegue dizer de si mesma aos que a rodeiam (nós, leitores, sabemos alguma coisa, apesar de tudo). Um ponto de partida interessante, mesmo que o resultado seja diferente do que eu esperava (a parte melhor é mesmo a dos trabalhos dos alunos, já mais para o fim), mas sem dúvida inteligente e original. O texto da contracapa lembra que, nos seus livros anteriores, Rachel Cusk se expunha mais, aqui sobram ainda vestígios da escritora na protagonista que, porém, se vai «anulando» nas histórias e vidas das outras personagens. Publicado pela Quetzal e traduzido por Ana Matoso.

Hoje recomendo mais uma maravilha imortal que todos devem absolutamente ler: Pedro Páramo, de Juan Rulfo. (A minha edição inclui, além desta, mais duas novelas curtas, leiam-nas também.)

4 comentários

  • Caro Henrique, um livro nunca é apenas uma história e, às vezes, a história é o menos importante do livro, é apenas o cenário. É o caso de «Pedro Páramo» e ainda mais do livro aqui referido pelo nosso Extraordinário António Luiz Pacheco: Grande Sertão: Veredas, que inventa uma lingua nova e não tem uma história de fio a pavio. Juan Rulfo foi considerado por muitos o precursor do realismo mágico e o inspirador de vários autores como, por exemplo, García Márquez. A sua obra é dimunuta, sendo «Pedro Páramo» a sua novela a mais conhecida. Começa com um rapaz que, depois da morte da mãe, vai procurar o pai, que se chama Pedro Páramo, e descobre que, se calhar, está... Enfim, não vou contar mais nada para não lhe estragar o prazer da leitura.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo 04.05.2020

    Cara Maria embora seja um leitor, não digo compulsivo, porque não gosto do termo sou um leitor assíduo e gosto de ter uma ideia do que vou ler ou no caso do que vou comprar, como se costuma dizer cada um com a sua mania, contudo prezo muito a sua opinião e fiquei com a sua resposta com uma ideia do que me espera nessa leitura por isso obrigado pela resposta.
    Henrique Cheira
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    António Luiz Pacheco 04.05.2020

    Caríssimo Henrique: Pedro Páramo é mais do que a busca pelo pai do personagem principal (D. Pedro é o seu pai) , uma viagem pelo Mundo mexicano de uma época, e um retrato.
    Como disse, não é fácil segui-lo pois há tergiversações constantes, mas não é por acaso que é considerado um Grande Livro. Isto para os que gostam de autores e tramas Centro/Sul-americanos, como é o meu caso.
    Fazer uma sinopse creio que é difícil, e se eu o resumo assim é mesmo porque nem sou literato nem intelectual... ahahahah! Se me permitem a brincadeira.

    Grande abraço - à conveniente e prudente distância regulamentar - cá da Cidade Morena!
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