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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

01
Jul20

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Não vale a pena esconder o meu gosto especial por Barnes, pois volta e meia cá venho eu falar de um dos seus livros, e sempre com o maior entusiasmo. Desta feita, aliás, já o referi de forma evasiva em dois posts da semana passada, um deles em que contei que andava a ler um livro sobre a morte que contava histórias dos últimos momentos de uns quantos autores, entre eles o malogrado Somerset Maugham, que acabou mal; o outro em que referi a ausência de epitáfio na campa dos irmãos Goncourt. Pois tudo isso foi lido na maravilha que é Nada a Temer, do querido Barnes, um autor que gosta muito de escrever sobre a morte (Os Níveis da Vida, O Papagaio de Flaubert são outros títulos que olham para ela, embora de maneiras diferentes). Porém, Nada a Temer é exclusivamente uma reflexão sobre a morte, a mortalidade, Deus, o que vem (ou não) depois de morrermos, o aborrecimento do acabar, os tempos sinistros que precedem o culminar da vida, quem tem medo da morte e quem, por sua vez, parece que não tem «nada a temer». Mas, para falar de tudo isso, Barnes tem um humor impagável que põe a nu episódios hilariantes que envolvem avós e pais, os amigos, os confrades e sobretudo o seu irmão filósofo, que espera ser enterrado no jardim de casa e fertilizá-lo. E está cheio de pequenas histórias deliciosas sobre escritores e artistas, como a de Rabelais (o autor de Pantagruel) que, no seu leito de morte, se despede dizendo: «Vou em busca do Grande Talvez.» Não percam. Fartei-me de marcar passagens memoráveis, eu, que raramente sublinho livros. É a minha recomendação para hoje. Nada a Temer, traduzido por Helena Cardoso para a Quetzal numa reedição muito recente.

3 comentários

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    António Luiz Pacheco 01.07.2020

    É curioso... já eu gostei mais de "Rio das Flores"!
    Talvez porque "Rio das Flores" me diga mais, o meu ruralismo superando o africanismo!
    Gostei bastante dos dois, aliás!

    Falando nisso, o melhor livro que jamais li sobre o Alentejo, e, os primórdios daquilo que foi depois, considero-o mesmo mesmo melhor que Brito Camacho, é da autoria de Mário Ventura, e chama-se "Vida e morte dos Santiagos".
    É daqueles livros que acredito deviam ser de leitura obrigatória, tal como "Entre Cós e Alpedriz", dentre aqueles que nos possam esclarecer sobre quem somos e de onde vimos.
    Obrigatórios para as novas gerações, ou... Adeus presente e futuro!
    Há tantos livros injustamente ignorados, que acho meu dever chamar a atenção, sobretudo quando estamos em meio de gente que gosta de ler!
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    António Luiz Pacheco 01.07.2020

    Devo esclarecer algo, que parece ser uma contradição...
    Gostei de "Rio das Flores", sim, pela ligação ao Mundo Rural.
    Porém, não me coíbo de achar que é um ruralismo da treta, com sabor e aroma a falso, escrito na verdade por um urbano que quer ser rural, faz um notável esforço para isso, mas não consegue libertar-se dos tiques urbanos!
    Havia e conheci, tenho conhecido muitas pessoas assim, rurais-urbanos e urbanos-rurais.
    Tudo bem, têm a sua vez e fazem falta se ajudarem a causa!
    Por isso gostei de "Rio das Flores", falta-lhe autenticidade no sentimento, mas está muito bem escrito e concebida a trama, o romance. Portanto gostei!
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