O que ando a ler
Ultimamente, não sou especialmente atraída pelos livros franceses, sobretudo desde a banhada que apanhei nas férias do Verão com aquela mastragança da Breve Vida das Plantas (já nem sei se o título era exactamente esse); mas, não me lembro onde, alguém aconselhava vivamente O Nosso Irmão, um pequenino romance de Clara Dupont-Monod (chefe de redacção da Marianne, uma revista que tem nome de publicação para entreter flausinas, mas não é nada disso) e acabei por comprar, quiçá um pouco influenciada pela ressonância do título O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral (Prémio LeYa 2014) e por ser igualmente sobre a temática da deficiência. Fiz bem em começar a lê-lo, porque vou a mais de meio e, embora a prosa seja às vezes borrifada com algumas imagens estranhas, a verdade é que se trata de um livro muito bonito (e contado pelas pedras, vejam lá), sobre a relação de três irmãos ("o mais velho", "a mais nova" e "o último") com o irmão nascido com uma deficiência profunda e sem grandes perspectivas de sobreviver aos primeiros anos de vida. O romance, que venceu os prémios Femina, Goncourt des Lycéens e Landerneau, é especialmente interessante pela forma como na mesma família são tão diferentes os modos de cada um reagir ao incómodo e à diferença da criança que não vê, não fala e não anda. Com cenas absolutamente comoventes a espaços, vale muito a pena (às vezes é preciso desatar o nó no peito e respirar fundo, como na vida).

