Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jun18

O senhor Wilde

Maria do Rosário Pedreira

Existem muitos escritores que são adorados, tanto em vida como depois da morte. Enquanto viveu, Oscar Wilde teve uma época de glória, mas também experimentou anos muito complicados: foi humilhado, esteve preso e acabou por morrer relativamente cedo. Conviveu com muitos dos bons e teve um séquito interessante, mas infelizmente foi levado por uma meningite. No entanto, mais de cem anos passados da sua morte (que ocorreu, como a de Eça, em 1900), é ainda um escritor profundamente amado pela sua ironia e um dos mais citados de sempre por causa das suas deliciosas máximas. Nas lojas de recordações do Reino Unido, de resto, há tapetes de rato, canecas de lápis, t-shirts e muitos outros materiais com frases de Wilde, todas magníficas (o difícil é escolher). E o escritor merece esse destaque, pois, mesmo que a sua vida tenha sido interrompida demasiado cedo, o tempo em que cá andou foi usado de forma muito útil para os leitores, desde os mais pequeninos (Wilde escreveu contos memoráveis como o Gigante Egoísta ou O Príncipe Feliz para crianças) aos mais velhos (O Retrato de Dorian Gray, seu único romance), e passou por uma variedade de géneros, desde a poesia, com que começou ainda estudante, à filosofia, ao conto e, sobretudo, ao teatro (onde pôde explorar o seu sarcasmo e o seu cinismo de forma extraordinária). Recentemente, pediram-me que prefaciasse um dos seus contos, O Fantasma de Canterville, e deliciei-me a lê-lo como da primeira vez. Um fantasma inglês com três séculos de idade e cheio de pergaminhos que não consegue assustar o embaixador americano e a sua família e acaba por ser vítima do seu pragmatismo só podia vir mesmo da cabeça do senhor Wilde. A ler este autor, até porque nos põe muito bem-dispostos.

16 comentários

Comentar post

Pág. 1/2