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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

20
Out15

O sexo e os escritores

Maria do Rosário Pedreira

Para quem gosta de poesia – e especialmente da de T. S. Eliot, modernista, prémio Nobel da Literatura em 1948 – há uma boa surpresa para breve: a editora Faber & Faber anuncia para o próximo mês de Novembro a saída de uma nova edição da obra do mestre com novidades picantes (sim, eu disse picantes) que podem de algum modo redefinir alguns aspectos da biografia do poeta, sobretudo a nível sexual. Eliot fez voto de castidade em 1928, depois da sua confirmação na igreja anglicana (convertera-se ao cristianismo), embora fosse um homem casado. Crê-se, porém, que não era feliz (em parte através dos poemas que retratavam a relação como disfuncional, em parte porque Vivienne sofria de distúrbios mentais) e correu até o boato de que ele seria impotente; mas Eliot voltou a casar-se uns anos mais tarde e, desta vez, a mulher, Valerie, era alta, gira e trinta anos mais nova do que ele (fora sua secretária); numa entrevista posterior à morte de Eliot, Valerie fez então questão de tornar público que a sua vida sexual fora normalíssima e que o marido, apesar da diferença de idades, se tinha portado sempre bem... Ainda que muitos tenham duvidado, agora, pelos vistos, uns quantos poemas eróticos encontrados em caderninhos vêm mostrar que, na verdade, o senhor Eliot gostava de ter a rapariga nua ao seu colo (estando ele igualmente nu) e de outras coisas que só não digo aqui porque, fora da poesia, soariam vulgares, sem a grandeza que Eliot merece. Foi, claro, preciso passarem uns anos da morte de Valerie (que lhe sobreviveu quase quarenta) para os organizadores desta nova edição poderem vasculhar na sua papelada e descobrir este dado novo; e, se bem que não passemos a gostar mais de Eliot por, afinal, ter líbido, pelo menos é bom saber que temos para ler poemas novos do grande poeta nascido nos EUA e naturalizado britânico, pois, além dos já mencionados de cariz erótico, haverá inéditos da sua juventude, versos que escreveu para crianças e ainda novas versões de outros já nossos conhecidos. Mas o sexo, estou convencida, é o grande chamariz desta nova edição.

2 comentários

  • Já me tinham falado disso, tem graça. Mas eu também não paguei a Sérgio Godinho direitos por ter usado o título de uma das suas canções. A expressão é mais ou menos do domínio público, acho.
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