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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Jul14

Os dois irmãos

Maria do Rosário Pedreira

Há uns livros que, sendo romances, não são só romances. E é este o caso de Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes, recentemente publicado pela Dom Quixote e, ainda por cima, com uma capa que dá logo vontade de o comprar e ler num instantinho. É um romance (também) que fala da vida de dois irmãos (Constantino diabolicamente pensante e estridente, Cláudio – o mais novo – melancólico, frágil e sonhador): dois meninos de famílias muito boas (com casa grande, criados, preceptores, avós e muitas tias fantásticas); meninos de outro tempo e de outro país (há vestígios de quando e onde, mas nunca se refere exactamente um lugar ou um ano – e é melhor assim, porque esta história serve, na verdade, a todos os tempos e lugares). A autora chamou-lhe «uma novela rústica em paradoxos», um nome que está certo, bem entendido, mas pode parecer a alguns demasiado «caro» e afastá-los da leitura. Pois que nada vos afaste, caríssimos extraordinários, porque esta pérola é uma espécie de Alice no País das Maravilhas escrita por uma portuguesa, um romance profundamente afectuoso e pleno de graça sobre questões abordadas desde sempre pela Filosofia (o ovo de Colombo, o infinito, o círculo vicioso e muitos outros paradoxos apaixonantes). É também extremamente simples nas suas proposições – ou não fossem os dois irmãos ainda crianças, embora já com um fraquinho pelas primas Florença e Tristeza (os nomes são igualmente bem apanhados, garanto) –, o que torna a leitura escorreita e agradável, embora a linguagem seja especialmente cuidada, nada de equívocos. E tem episódios e personagens inesquecíveis, além de – obviamente – muitas histórias que nos fazem pensar, muito para lá de terminado o romance. Um livro muito raro na nossa literatura, enfim.

 

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