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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Out20

Os novos feminismos

Maria do Rosário Pedreira

Uma amiga chegada postou no Facebook a sua gloriosa indignação em relação à estupidez de certas pessoas, acrescentando que seria bom «eliminá-las» das nossas vidas. A sua irritação tinha, claro, razão de ser e prendia-se com um artigo publicado na revista The Economist sobre um livro que defende que as mulheres devem «eliminar» os homens não só das suas vidas, mas das suas mentes! Assina o livro Alice Coffin (um apelido bastante gráfico que evoca um caixão onde a senhora quer meter os homens todos do mundo), e o título em inglês é Lesbian Genius. Nele, a autora diz que já não vê filmes nem lê livros de homens e também não ouve música de homens – e está no seu direito, claro, mas apelar a que todas as mulheres façam o mesmo é paradoxalmente pô-las ainda mais ignorantes do que alguns homens querem que elas sejam… O/a articulista (nunca sabemos quem escreve o artigo nesta revista) antevê um mundo sem Voltaire, Mozart ou Truffaut e não gosta… (nem eu, e sou mulher). Alice Coffin foi despedida da Universidade Católica, onde ensinava, por ter comportamentos totalitários e obscurantistas em relação ao sexo oposto (e não sabemos se quem a despediu era homem); mas não é a única a instigar ao ódio aos representantes do sexo masculino. Moi, je deteste les hommes, um pequeno ensaio de uma escritora francesa (esta mais moderada, porque até é casada com um homem, ou seja, não está ainda pronta a «eliminar» os homens da vida e da mente), está também a fazer furor em França e creio que não faltará muito para que apareça por aí uma tradução. (Ainda bem que já cá não estás para assistir a estas coisas, Simone de Beauvoir. Porque eras capaz de te indispor… O teu feminismo não era nada disto.) Adeus, futuro.

2 comentários

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    António Luiz Pacheco 26.10.2020

    Olhe que não, olhe que não, doutora!
    Ahahah!

    Refiro-me à alegada desvalorização das mulheres.
    Penso que cada vez mais são não só devidamente valorizadas, como ocupam naturalmente o seu lugar, destacando-se. Chamo a isso evolução, e, é ao que venho assistindo, sem constrangimentos, da minha parte.
    Dirigi ou chefiei equipas multidisciplinares, com mulheres, sempre as tratei com justiça e equidade, dentro das suas capacidades, como aos homens. Naturalmente sei dar valor a uma licença de maternidade ou alguma necessidade de cariz familiar mais próprio das mulheres, que existem, sejamos realistas!

    Para que conste, enquanto presidi ao Comité Desportivo da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas da qual fui vice-presidente por 10 anos, animei várias moças a entrar em campeonatos de pesca submarina. Tentei organizar em 2006 o primeiro campeonato mundial feminino de pesca submarina, a par do masculino, em Sines, coisa que a Confederação Mundial não me permitiu, como não o permitira em 2004 em Iquique no Chile, mas tendo eu visto nessa ocasião que havia atletas femininas bastantes e interessadas, viajando para essa finalidade sem apoio financeiro das suas federações!
    Por respeito e solidariedade entendi que devia apoiá-las. No entanto, com o apoio da câmara municipal, organizei em substituição, um troféu internacional Vasco da Gama, feminino, com atletas do Chile, Venezuela, Rússia, EUA, as portuguesas não querendo participar. Já depois em 2008 na Venezuela, como delegado da Confederação Mundial a esse mundial, autorizei a participação de uma atleta feminina russa na competição masculina, alegando que não havia nos reguamentos nada que o impedisse!
    Foi a forma de quebrar os meus colegas da comissão de pesca submarina da CMAS. Portanto, finalmente no Mundial de Sagres em 2018, houve competição masculina e feminina, e, sagrou-se a primeira Campeã do Mundo de Pesca Submarina, a portuguesa Tereza Duarte! Que nos encheu de orgulho!
    Tudo isto teve como final feliz, no ano passado, ter podido ajudar através da Confederação Mundial com o apoio do presidente da Comissão de Pesca Submarina da Confederação Mundial (CMAS), António Júlio Cruz, uma atleta venezuelana refugiada dali para Miami, a conseguir o estatuto de atleta de alta competição e assim o visto de permanência nos EUA, para se fixar e estudar, no que tivémos a preciosa ajuda do presidente da federação dos EUA, Eric Salado, ele mesmo filho de refugiados cubanos!
    São histórias que dariam livros... diremos nós traças e amantes da literatura!

    Ainda há dias provoquei escândalo quando disse mais uma vez, em público, perante uma assembleia alargada, que se querem que este país (Angola) funcione bem, entreguem-no às mulheres!
    É que tenho o maior meu respeito e consideração pela mulher africana, em particular, pois conheço bem a realidade, o dia a dia de cá, e, aquilo de que elas são capazes, tanto quanto os homens são incapazes!

    Saudações masculinas cá da Cidade Morena!
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